Interpretação e produção de evidência(s) (Interpretation and evidence(s) production)

Resumo

Em busca de compreender o processo de produção de evidência em um sujeito da contemporaneidade, em meio à segregação, retomo, neste trabalho, algumas reflexões sobre subjetividade e subjetivação. O objetivo é investigar, a partir do processo de subjetivação, a relação entre interpelação, identificação e interpretação. Para tanto tomo o discurso do sujeito falcão como observatório. Em Falcão – Meninos do Tráfico, MV Bill entrevista meninos que trabalham para o tráfico de drogas e ao perguntar a um deles o que é ser bandido, o sentido explicitado de bandido desloca o significado já naturalizado do dicionário, por exemplo; explicita, ainda, o sem-sentido. Por isso pergunto: e quando o sentido da interpretação (não) faz sentido?
PALAVRAS-CHAVE: Interpelação. Identificação. Interpretação.


ABSTRACT
Trying to understand the production of evidences in a contemporaneous subject, touched by the segregation, I retake, on this paper, some reflections on Estudos da Língua(gem) Vitória da Conquista v. 7, n. 3 especial p. 75-90 dezembro de 2009 ‘subjetividade’ and ‘subjetivação’. The aim here is to investigate, having as a starting point the process of ‘subjetivação’, the relation among interpellation, identification and interpretation. To do that, I consider the discourse of the subject ‘falcão’ as an observatory. In “Falcão – Meninos do Tráfico”, MV Bill interviews boys that work to the drug traffic and while asking one of them if he was a gangster, the meaning for gangster that has been shown is other than the one that has been naturalized by the dictionary, for example; the non-sense is also shown. Taking all these in consideration, I ask: And when the meaning of interpellation does really make sense?
KEYWORD: Interpellation. Identification. Interpretation.

Biografia do Autor

##submission.authorWithAffiliation##

Greciely Cristina da Costa é Doutoranda em Lingüística, no Instituto de Estudos da Linguagem, da Universidade Estadual de Campinas. Tem experiência na área de Lingüística, com ênfase em Análise de Discurso.

Referências

ALTHUSSER, L. Idéologie et appareils idéologiques d’État. La Pensée, Paris, n. 151, p. 3-38, 1970.
BENVENISTE, E. Problemas de Lingüística Geral I. Tradução de Maria da Glória Novak e Maria Luisa Néri. 5a edição. Campinas: Pontes, 2005. Edição original: 1966.
BILL, M.V.; ATHAYDE, C. Falcão – Meninos do Tráfico. Rio de Janeiro: Objetiva, 2006.
COSTA, G. C. Linguagens em funcionamento: Sujeito e Criminalidade. 2008. 147 p. Dissertação (Mestrado em Lingüística) - Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2008.
FERREIRA, A. B. H. Dicionário Aurélio: o dicionário da língua portuguesa. 6a ed. rev. atual. Curitiba: Positivo, 2005.
GUATTARI, F. As Três ecologias. Campinas: Papirus, 1990.
GUGLIELMI, G. J.; HAROCHE, C. Avant-Propos. In: ______. (Org.) Esprit de corps, démocratie et espace public. Paris: PUF, 2005. p. 5-11.
HAROCHE, C. Fazer dizer, querer dizer. Tradução de Eni P. Orlandi. São Paulo: Hucitec, 1984.
KAËS, R. La métaphore du corps dans les groupes, les réciprocités métaphoiques du corp et du groupe. In: GUGLIELMI, J. G.; HAROCHE, C. (Org.). Esprit de corps, démocratie et dspace public. Paris: PUF, 2005. p. 91-116.
LEWKOWICZ, I.; CANTARELLI, M.; Grupo doze: Do fragmento à situação: anotações sobre a subjetividade contemporânea. Tradução inédita de Maria Onice Payer e Romualdo Dias, 2006. Obra original: 2003.
MELMAN, C. O homem sem gravidade: gozar a qualquer preço. Tradução de Sandra Regina Felgueiras. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2003.
ORLANDI, E. L. P. Violência e processos de individualização dos sujeitos na contemporaneidade. In: Sargentini; Vanice; Gregolin, M. (Org.). Análise do discurso: heranças, métodos e objetos. v. 1. São Carlos: Claraluz Editora, 2008. p. 117-130.
_______. À Flor da Pele: Sociedade e Indivíduo. In: MARIANI, B. (Org.). A escrita e os escritos: Reflexões em Análise do Discurso e Psicanálise. São Carlos: Claraluz, 2006. p. 21-30.
_______. O Sujeito Discursivo Contemporâneo: um exemplo. In: Seminário de Estudos em Análise do Discurso- SEAD, 2., 2005. Porto Alegre, Anais.... Porto Alegre: UFRGS, 2005. CD-ROM.
_______. Língua e conhecimento lingüístico: para uma história das idéias no Brasil. São Paulo: Cortez, 2002.
_______. Discurso e texto: formulação e circulação dos sentidos. Campinas: Pontes, 2001.
_______. Do não sentido e do sem sentido. In: JUNQUEIRA FILHO, L.C.U. (Org.). Silêncios e luzes: Sobre a experiência psíquica do vazio e da forma. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1998. p. 57-65.
_______. Interpretação: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. Petrópolis: Vozes, 1996.
PÊCHEUX, M. O Discurso: estrutura ou acontecimento. Tradução de Eni Orlandi. Campinas, Campinas: Pontes, 1988.
_______. Semântica e discurso: Uma Crítica à Afirmação do Óbvio. Tradução de Eni P. Orlandi et al. Campinas: Editora da UNICAMP, 1988. Edição Original: 1975.
ROLNIK, S. Toxicômanos de Identidade: Subjetividade em Tempo de Globalização. In: LINS, D. (Org.). Cultura e subjetividade. Sabores Nômades. Campinas: Papirus, 1997a. p. 19-24.
_______. Uma insólita viagem à subjetividade: fronteiras com a ética e a cultura. In: SOARES, D. (Org.). Cultura e subjetividade: saberes nômades. Campinas: Papirus, 1997b. p. 25-34. Disponível em: http://www.pucsp.br/nucleodesubjetividade/suely%20rolnik.htm Acesso em 20/04/2008.
_______. O mal-estar na diferença. Anuário brasileiro de psicanálise, Rio de Janeiro, n. 3, p. 97-103, 1995a.
_______. Subjetividade e História. Rua, Campinas, n. 1, p. 49-61, 1995b.
_______. Uma ética do real. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, p. 6-8, 08 set. 1990. Disponível em:. Acesso em 20/04/2008.
Publicado
2009-12-30
Como Citar
COSTA, Greciely Cristina da. Interpretação e produção de evidência(s) (Interpretation and evidence(s) production). Estudos da Língua(gem), [S.l.], v. 7, n. 3, p. 75-90, dez. 2009. ISSN 1982-0534. Disponível em: <http://periodicos2.uesb.br/index.php/estudosdalinguagem/article/view/1106>. Acesso em: 22 set. 2019. doi: https://doi.org/10.22481/el.v7i3.1106.