Blanchot, a experiência literária e o fim da história: as janelas abertas de uma geração (Blanchot, the literaty experience and the end of history: open doors of a generation)

Resumo

O presente artigo parte do célebre diagnóstico do fim da história – tese defendida por Francis Fukuyama logo após a queda do muro de Berlim. Inspirado em autores como Michel Foucault, Gilles Deleuze e Giorgio Agamben, situa-se sob o viés o qual defende que a maquinaria do capital – muito mais do que um sistema econômico – é produtora de subjetividade: em tramas de saber e poder operadas por dispositivos, dobra vidas a fim de construir modos de existência de modo cada vez mais minucioso e cotidiano. O que se insinua, pois, é a tese de Walter Benjamin: o capitalismo como religião - fabricando existências ininterruptamente a partir da disseminação incessante de dispositivos. O que se anunciaria no presente, pois, seria uma geração funcionária do fim da história – aquela que viveria fazendo acontecer aquilo que certa feita Italo Calvino chamou de inferno. A partir de tal diagnóstico, sob inspiração em Maurice Blanchot e Roberto Bolaño, a aposta é de que o que se opera em uma experiência literária pode fazer fraquejar as tramas dispositivas já prontas de um suposto fim da história – e seria justamente essa a tarefa política que faz vicejar a potência da arte: fazer valer o inacabamento do mundo e, portanto, a impossibilidade do fim da história.
PALAVRAS-CHAVE: Subjetividade. Dispositivos. Experiência literária.

Biografia do Autor

##submission.authorWithAffiliation##
Danichi Hausen Mizoguchi é doutor e mestre em Psicologia pela Universidade Federal Fluminense. É professor Adjunto do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense e do e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da mesma universidade. Graduado em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Autor do livro Segmentaricidades: passagens do Leme ao Pontal.

Referências

AGAMBEN, Giorgio. O que é o contemporâneo? e outros ensaios. Chapecó, SC: Argos, 2009.
BENJAMIN, Walter. O capitalismo como religião. São Paulo: Boitempo, 2013.
BLANCHOT, Maurice. A fala cotidiana. Em: A conversa infinita 2: a experiência limite. São Paulo: Escuta, 2007.
_____. O livro por vir. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
BOLAÑO, Roberto. Os detetives selvagens. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
DELEUZE, Gilles. Conversações. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992.
FOUCAULT, Michel. História da loucura na Idade Clássica. São Paulo: Editora. Perspectiva, 1978. Edição original: 1961.
_____. O Nascimento da Clínica. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1977. Edição original: 1963.
_____. As Palavras e as Coisas. Uma arqueologia das ciências humanas. Martins Fontes. São Paulo, 2000. Edição original: 1966.
_____. A arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1972. Edição original: 1969.
_____. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1987. Edição original: 1975
_____. A história da sexualidade I: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1988. Edição original: 1975.
GAGNEBIN, Jean-Marie. Entre a vida e a morte. In: OTTE, Georg; SEDLMAYER, Sabrina; CORNELSEN, Elcio (Org). Limiares e passagens em Walter Benjamin. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010.
Publicado
2018-06-30
Como Citar
MIZOGUCHI, Danichi Hausen. Blanchot, a experiência literária e o fim da história: as janelas abertas de uma geração (Blanchot, the literaty experience and the end of history: open doors of a generation). Estudos da Língua(gem), [S.l.], v. 15, n. 1, p. 43-55, jun. 2018. ISSN 1982-0534. Disponível em: <http://periodicos2.uesb.br/index.php/estudosdalinguagem/article/view/2399>. Acesso em: 23 set. 2019. doi: https://doi.org/10.22481/estudosdalinguagem.v15i1.2399.