As formas de tratamento nominais rapaz e cara no falar de Fortaleza – CE: um estudo variacionista (The forst of personal pronouns rapaz and cara in the speech of Fortaleza - CE: a variationist study)

Resumo

Neste trabalho, investigamos a variação entre as formas de tratamento nominais rapaz e cara no falar de fortaleza – CE, sob os alicerces teórico-metodológicos da sociolinguística variacionista (LABOV, 1994, 2006, 2008; WEINREICH; LABOV; HERZOG, 2006). Nosso objetivo é analisar a atuação de fatores linguísticos e extralinguísticos sobre o uso, principalmente, da forma de tratamento rapaz. Para tanto, utilizamos uma amostra de linguagem falada composta por 53 informantes extraídos do banco de dados do Projeto Norma Oral do Português Popular de Fortaleza (NORPOFOR). De um total de 130 dados, vimos que o uso da variante rapaz (65,60%) prevalece sobre o uso da forma cara (35, 40%). De igual modo, verificamos que, na amostra de fala estudada, os fatores extralinguísticos que mais favorecem o uso da variante rapaz foram, nesta ordem decrescente de importância: escolaridade (falantes com 0-4 anos e 5-8 anos de escolaridade), sexo (masculino) e faixa etária (falantes com 26-49 anos) e, dentre os fatores linguísticos, a posição da forma em relação ao verbo (termo isolado) se apresentou como aliado da forma rapaz.
PALAVRAS-CHAVE: Formas de tratamento. Rapaz vs. Cara. Falar de Fortaleza.

Biografias do Autor

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Aluiza Alves de Araújo é doutora e mestre em Linguística pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e graduada em Letras pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Atualmente é professora adjunta do curso de graduação em Letras e da Pós-Graduação em Linguística Aplicada do Centro de Humanidades da Universidade Estadual do Ceará. Atua na área de Linguística, com ênfase em Sociolinguística Variacionista.

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Tatiane de Araújo Almeida Studart Guimarães é doutoranda e mestre em Linguística Aplicada pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Graduada em Letras pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR) e especialista em Ensino de Língua Portuguesa pela UECE. Atua na érea de Letras com ênfase em Linguística e Sociolinguística Variacionista.

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Maria Lidiane de Sousa Pereira é doutoranda e mestre em Linguística Aplicada pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Graduada em Letras pela Universidade Regional do Cariri (URCA). Atua na área de Letras com ênfase em Linguística, Sociolinguística Variacionista e Língua Portuguesa.

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Publicado
2017-12-29
Como Citar
ARAÚJO, Aluiza Alves de; GUIMARÃES, Tatiane Araújo Almeida Studart; PEREIRA, Maria Lidiane de Sousa. As formas de tratamento nominais rapaz e cara no falar de Fortaleza – CE: um estudo variacionista (The forst of personal pronouns rapaz and cara in the speech of Fortaleza - CE: a variationist study). Estudos da Língua(gem), [S.l.], v. 15, n. 2, p. 49-65, dez. 2017. ISSN 1982-0534. Disponível em: <http://periodicos2.uesb.br/index.php/estudosdalinguagem/article/view/3542>. Acesso em: 13 out. 2019. doi: https://doi.org/10.22481/el.v15i2.3542.