REMINISÇÃO: O AUTOR MORRE OU FINGE QUE MORRE

  • Maryllu de Oliveira Caixeta Universidade de São Paulo (Usp)

Resumo

O conto “Reminisção” de Tutaméia alegoriza a autoria com uma paródia da teoria platônica das reminiscências que pressupõe um sentido superior como fundamento das formas dos gêneros. Romão casa-se com uma mulher que a cidade satiriza. No final, morre nos braços dela que se transfigura na imagem canonizada de Nhemaria. A representação torna-se hagiográfica desde que Romão morre ou finge morrer com um sorriso verossímil capaz de validar a ficção de uma unidade que produz indeterminação ou deforma a dualidade clássica de forma e fundo. A deformação faz-se como paródia da forma que, segundo Bakhtin, resulta da relação do autor com a personagem; relação que regula a exigência clássica de exotopia com dialogismo e transgrediência. O autor dá acabamento à forma dotando-a de autoridade semelhante à do coro, pluralidade de sentidos, que radica a representação na vida social. A morte de Romão corresponde à do autor de um cânone fingidor.

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Biografia do Autor

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Doutora em Estudos Literários pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp). Pós-doutoranda em Letras pela Universidade de São Paulo (Usp). Bolsista da Fundação de Amparado à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Publicado
2018-03-08
Como Citar
CAIXETA, Maryllu de Oliveira. REMINISÇÃO: O AUTOR MORRE OU FINGE QUE MORRE. fólio - Revista de Letras, [S.l.], v. 7, n. 1, mar. 2018. ISSN 2176-4182. Disponível em: <http://periodicos2.uesb.br/index.php/folio/article/view/2986>. Acesso em: 20 out. 2019.