A DISCURSIVIZAÇÃO DA MEMÓRIA EM RELATOS AUTOBIOGRÁFICOS DE ALUNOS DA EJA

  • Claudio Lessa Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet/MG)

Resumo

Neste artigo, busco mostrar de que maneira as narrativas de vida de alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) parecem confirmar reflexões sobre a escrita autobiográfica e sobre o ato de recordar feitas pelos Estudos da Linguagem e pela Sociologia: o sujeito ao se propor ou ser instado a contar suas memórias, autorrepresenta-se, avalia a si e a outrem (fatos, eventos, pessoas e discursos) segundo as referências éticas que formam sua subjetividade presente, introjetadas e sedimentadas a partir de sua pertença aos diversos grupos, que segundo Halbwachs (1925), constituem os quadros sociais da memória: a família, a religião e a classe, além da linguagem e das coordenadas espácio-temporais. Nessa auto-objetivação, o sujeito realiza um projeto retórico; cf. Namer (1987): orienta-se por uma vontade de persuadir/convencer, imprime um determinado tom ao seu dizer de acordo com o interlocutor ao qual se endereça. Trata-se de considerar uma memória discursivizada, retoricizada. Nos relatos dos alunos da EJA, ouvem-se ressoar tons de ressentimento, de tristeza, de denúncia; mas, também, de nostalgia, de alegria e superação das adversidades da vida.

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Biografia do Autor

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Doutor em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professor efetivo do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG).

Publicado
2018-03-08
Como Citar
LESSA, Claudio. A DISCURSIVIZAÇÃO DA MEMÓRIA EM RELATOS AUTOBIOGRÁFICOS DE ALUNOS DA EJA. fólio - Revista de Letras, [S.l.], v. 7, n. 1, mar. 2018. ISSN 2176-4182. Disponível em: <http://periodicos2.uesb.br/index.php/folio/article/view/2989>. Acesso em: 20 out. 2019.