O COTIDIANO LÚDICO DOS ENGRAXATES PAULISTANOS

Resumo

Desde o século XIX, engraxates ambulantes ocupam as ruas paulistanas para o trabalho e também para a diversão, com brincadeiras e jogos entre um cliente e outro ou após o expediente mais agitado. No início do século XX, os garotos faziam uso de diversos espaços públicos da cidade, como a Praça da Sé e o Largo do Correio, lidando diariamente com a repressão dos órgãos públicos, já que o ofício foi proibido de ser exercido nas ruas em 1901. Ao longo da década de quarenta, o jogo de bola de gude perdeu espaço para uma outra forma de divertimento, a música. A batucada dos engraxates transformava seus próprios instrumentos de trabalho em instrumentos musicais. Hoje, engraxates ambulantes ainda persistem na região central da cidade e em bairros mais distantes, como a região do aeroporto de Congonhas, e seguem colorindo o cotidiano laborioso com brincadeiras e música. A partir de pesquisas em periódicos, fotografias, documentos policiais e sonoros, o artigo identifica e descreve como acontecia no passado e como ocorre ainda hoje o uso dos espaços públicos pelos engraxates paulistanos, assim como seus divertimentos e estratégias para sobreviverem no contexto disputado e violento da cidade.

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Biografias do Autor

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 É aluno de doutorado da Universidade de São Paulo – Brasil; Programa de Pós-Graduação em História Social; Possui bolsa de Pesquisa Grupo de Pesquisa Entre a Memória e a História da Música.

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Possui pós-doutorado pela Université Paris-Ouest Nanterre, Professor livre docente da Universidade de São Paulo, Coordenador do Grupo de Pesquisa Entre a Memória e a História da Música e membro do Ludens - USP (Núcleo Interdisciplinar de Estudos Sobre Futebol e Modalidades Lúdicas). É pesquisador CNPq 2 CA-AC desde 2010.

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Publicado
2020-07-01
Como Citar
SANTOS, André Augusto de Oliveira; DE MORAES, José Geraldo Vinci. O COTIDIANO LÚDICO DOS ENGRAXATES PAULISTANOS. Práxis Educacional, [S.l.], v. 16, n. 40, p. 114-133, jul. 2020. ISSN 2178-2679. Disponível em: <http://periodicos2.uesb.br/index.php/praxis/article/view/6888>. Acesso em: 10 ago. 2020. doi: https://doi.org/10.22481/praxisedu.v16i40.6888.