Medicalização e educação: um estudo sobre a formação de pedagogas e pedagogos

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DOI:

https://doi.org/10.22481/aprender.i30.13796

Resumo

A preocupação com a saúde física e mental de crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos tem crescido ao longo dos últimos anos, sobretudo a partir da pandemia de Covid-19. Tal preocupação tem produzido estudos e pesquisas acadêmicas; levantamentos e análises realizados por organizações nacionais e internacionais; políticas públicas nacionais; e orientações e planos de ação dirigidos às diversas nações. Se por um lado a atenção e o cuidado com as questões relativas à saúde física e mental são importantes e necessários, por outro, fazem pensar no risco da medicalização da vida, do sofrimento e do mal-estar. Tendo em vista que a escola tem sido lócus privilegiado de discursos e práticas medicalizantes, foi realizada uma pesquisa com o objetivo de averiguar se o processo de medicalização é abordado na formação inicial de pedagogos e investigar os conhecimentos dos participantes sobre a temática. Para tal fim, foi aplicado um questionário em 19 (ex)estudantes de uma universidade pública federal através do aplicativo Google Forms. Dentre os resultados, a análise indica que o tema ainda é pouco estudado no curso e que há pouca clareza na definição e diferenciação dos termos medicalização, patologização e medicação, e na compreensão das causas e desdobramentos do processo.

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Referências

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Publicado

2023-12-29

Como Citar

CHAVES, Jacqueline Cavalcanti; ANJOS, Rafaela Afonso dos. Medicalização e educação: um estudo sobre a formação de pedagogas e pedagogos. APRENDER - Caderno de Filosofia e Psicologia da Educação, [S. l.], n. 30, p. 214–232, 2023. DOI: 10.22481/aprender.i30.13796. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/aprender/article/view/16218. Acesso em: 24 maio. 2026.