Construções parentéticas epistêmicas no português angolano e moçambicano (Epistemic parenthetical constructions in Angolan and Mozambican Portuguese: convergences and divergences)
DOI:
https://doi.org/10.22481/el.v18i1.6100Palavras-chave:
Construções parentéticas epistêmicas, Linguística centrada no uso, Abordagem construcional, Esquematicidade., Português angolano e moçambicanoResumo
Este artigo pretende analisar, quanto à propriedade esquematicidade, construções parentéticas epistêmicas quase-asseverativas de base clausal verbal portuguesas, instanciadas por microconstruções como (eu) creio que, (eu) acho que, (eu) penso que, de um lado, e (eu) creio, (eu) acho, (eu) penso, do outro. Para análise dessas construções, assume-se como orientação teórico-metodológica a Linguística Funcional Centrada no Uso, com ênfase na abordagem construcional da gramática e mudança linguística. A investigação se baseia em ocorrências empíricas das variedades angolana e moçambicana do português contemporâneo, extraídas do banco de dados do Corpus do Português. Os resultados mostram que: (i) a rede construcional dos parentéticos analisados apresenta dois subesquemas: [(SUJP1)VEpist Compl]Parent e [(SUJP1)VEpist]Parent; (ii) os dois subesquemas ocorrem no português angolano e moçambicano, havendo diferença quanto à produtividade; (iii) nas microconstruções, os verbos epistêmicos que mais ocorrem são achar (português moçambicano) e crer (português angolano e moçambicano).
Downloads
Referências
BISPO, E. B. Orações relativas em perspectiva histórica: interface uso e
cognição. Veredas: Sintaxe das Línguas Brasileiras. v. 18/1, 2014.
BRINTON, L. J., The comment clause in English: syntactic origins and pragmatic developments (Studies in English Language). Cambridge: Cambridge University Press, 2008. 280 p.
BYBEE, J. From usage to grammar: the mind’s response to repetition. Language, v. 82, n. 4: 711-733, 2006.
_____. Language, usage and cognition. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.
CARVALHO, C. S. De cláusulas matrizes a construções parentéticas epistêmicas: uma abordagem construcional. Cadernos de Letras da UFF, v. 27, n. 55, Niterói, 2017, p. 17-41.
CASTILHO, A. T.; CASTILHO, C. M. M. Advérbios Modalizadores. In: ILARI, Rodolfo (org.). Gramática do português falado. v.2. 3.ed. São Paulo, Unicamp, 1996, p. 213-260.
CROFT, W. Radical Construction grammar: syntactic theory in typological perspective. Oxford: Oxford University Press, 2001.
DAVIES, M.; FERREIRA, M. Corpus do Português. 2006. Disponível em: <http://www.corpusdoportugues.org> Acesso em: 23 out. 2019.
FITNEVA, S. A. Epistemic marking and reliability judgments: evidence from Bulgarian. Journal of Pragmatics, 33: 401-420, 2001.
FORTILLI, S. C. Parentetização de verbos de atividade mental no português falado e escrito. In. Revista Philologus, ano 21, Nº 61: Anais do VII SINEFIL. Rio de Janeiro, 2015.
FURTADO DA CUNHA, M. A. BISPO, E. B.; SILVA, J. R. Linguística Funcional Centrada no Uso. In: CEZARIO, M. M.; FURTADO DA CUNHA, M. A. (orgs.). Linguística Centrada no Uso: uma homenagem a Mário Martelotta. Rio de Janeiro: Mauad X/FAPERJ, 2013. p. 13-39.
GALVÃO, V. C. C. O achar no português do Brasil: um caso de gramaticalização. Dissertação (Mestrado em Linguística) - Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1999. 167 p.
GOLDBERG, A. E. Constructions. A constructional grammar approach to argument structure. London: The University of Chicago Press, 1995.
______ . Constructions at work: the nature of generalization in language. Oxford: Oxford University Press, 2006.
______ . Constructionist approaches. In: HOFFMANN, T.; TROUSDALE, G. (eds.). The Oxford Handbook of Construction Grammar. New York: Oxford University Press, 2013. p. 15-31.
KEMMER, S.; BARLOW, M. Introduction: a usage-based conception of language. In: BARLOW, M.; KEMMER, S. (eds). Usage based models of language. Stanford: CSLI Publications, 2000.
MARTELOTTA, M. E. Mudança linguística: uma abordagem baseada no uso. São Paulo: Cortez, 2011. 136 p. (Coleção Leituras Introdutórias em Linguagem). 136 p.
OLIVEIRA, M. R. Gramaticalização de construções como tendência atual dos estudos funcionalistas. Estudos linguísticos, São Paulo, 42 (1): p. 148-162, jan-abr 2013. Disponível em: <http://www.gel.org.br/estudoslinguisticos/volumes/42/EL-42_vol1_148_162_MR_Oliveira_1.pdf>. Acesso em: 26 ago. 2018.
SCHNEIDER, S. Reduced parenthetical clauses as mitigators: a corpus study of spoken French, Italian and Spanish. v. 27. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins 2007.
SILVA, A. S. A linguística cognitiva. Uma breve introdução a um novo paradigma em linguística. In: Revista Portuguesa de Humanidades, FASC. [1-2], v. 1, 424 pp., 1997.
TRAUGOTT, E. C.; TROUSDALE, G. Constructionalization and constructional changes. Oxford: Oxford University Press, 2013. 278 p.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2020 Estudos da Língua(gem)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam em Estudos da Língua(gem) concordam com os seguintes termos:
Estudos da Língua(gem) mantém os direitos autorais das contribuições publicadas e disponibiliza seu conteúdo gratuitamente por meio do portal. Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online em repositórios institucionais ou na sua página pessoal, com reconhecimento de autoria e créditos de publicação inicial nesta revista, indicando endereço online.