Uma Trajetória Racista: O Ideal de Pureza de Sangue na Sociedade Ibérica e na América Portuguesa
Resumo
Este artigo tem por objetivo apresentar algumas considerações acerca da política de pureza de sangue presente nas sociedades ibéricas durante o Antigo Regime. As instituições desse período estavam respaldadas por uma ampla legislação eclesiástica e civil traduzida na forma de editos, decretos, ordenações e regimentos, que impediam os possuidores de sangue “maculado” de ingressar em ordens militares, Misericórdia, cargos públicos e eclesiásticos, sobretudo nos correspondentes à hierarquia inquisitorial. Além dos judeus, também os mouros, ciganos, negros e índios foram estigmatizados pela legislação vigente. Esta postura adotada pelas monarquias ibéricas se configurou claramente como um racismo institucionalizado, reservando apenas aos cristãos-velhos a ocupação de funções na sociedade no âmbito civil e religioso.