DO GÊNERO À “IDEOLOGIA DE GÊNERO” NO CAMPO DAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS: APONTAMENTOS TEÓRICOS, HISTÓRICOS E POLÍTICOS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22481/praxisedu.v17i44.7042

Palavras-chave:

Educação democrática, Conceito de gênero, “Ideologia de gênero”

Resumo

A partir do início deste século, criaram-se mecanismos estatais para incluir gênero e sexualidades nas políticas educacionais, respondendo exigências de organismos internacionais. Ao lado disso, levantaram-se vozes conservadoras que produziram a narrativa nomeada “ideologia de gênero”, visando desqualificar estudos acadêmicos e conter os avanços dos direitos voltados à igualdade de gênero e o reconhecimento das diversidades sexuais. Este artigo, teórico-reflexivo, analisa como o gênero foi incorporado nas políticas educacionais, em vista de processos de transformação socioculturais e como se tornou um elemento de disputa política, por parte dos setores conservadores, que transformou o gênero em inimigo a ser combatido. Trata-se de um projeto que oculta interesses específicos e que coloca em jogo um modelo de sociedade e de educação democrática, pautada na igualdade de direitos e na convivência plural.

 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Neiva Furlin, Universidade do Oeste de Santa Catariana – Brasil

Doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com doutorado sanduíche na Universidade Nacional Autónoma de México (UNAM). Pós-doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Atualmente é professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC), pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Políticas Educacionais (NUPE) e líder do Grupo de Pesquisa Educação, Políticas Públicas e Cidadania (GEPPeC).

Referências

ALTMANN, Helena. Orientação sexual nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Estudos Feministas. Rio de Janeiro, v.9, n.2, p. 575, 2001.

APPLE, Michael W. A política do conhecimento oficial: faz sentido a ideia de um currículo nacional. IN: MOREIRA, Antonio Flávio; TADEU, Tomaz. Currículo. Cultura e Sociedade. São Paulo: Editora Cortez, 2018.

BANDEIRA, Lourdes M.; ALMEIDA. Tânia M. Campos de A transversalidade de gênero, nas políticas públicas. Revista do Ceam, v. 2, n. 1, jan./jun. 2013.

BANDEIRA, Lourdes M.. A transversalidade da perspectiva de gênero nas políticas públicas. Brasília: CEPAL/SPM, 2004.

BEAUVOIR, Simone. O segundo sexo: fatos e mitos. (Vol.1). São Paulo: Círculo do Livro, 1949.

BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

BRASIL. Políticas Públicas para as Mulheres. (cartilha). Brasília: SPM, 2013.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Parecer nº 8, de 6 de março de 2012. Aprova as Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 30 mai. 2012a. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=10389‑pcp008‑12‑pdf&category_slug=marco‑2012‑pdf&Itemid=30192.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

CARREIRA, Denise. Igualdade e diferenças nas políticas educacionais: a agenda das diversidades nos governos Lula e Dilma. São Paulo: USP, 2015. Tese (Doutorado em Educação), Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, 2015.

CARREIRA, Denise. O Informe Brasil Gênero e Educação: Da CONAE às Diretrizes Nacionais. In: VIANNA, Cláudia, et al. Gênero e educação: fortalecendo uma agenda para as políticas educacionais. São Paulo: Ação Educativa, Cladem, Ecos, Geledés, Fundação Carlos Chagas, 2016, p. 25-54.

CEPAL. Planes de igualdad de género en América Latina y el Caribe: Mapas de ruta para el desarrollo. Observatorio de Igualdad de Género de América Latina y el Caribe. Estudios 1, Naciones Unidas, Santiago: LC/PUB. 1-P, 2017.

CIAVATTA, Maria. Resistindo aos dogmas do autoritarismo. In: FRIGOTTO, Gaudêncio (ORG). A gênese das teses do Escola sem Partido: esfinge e ovo da serpente que ameaçam a sociedade e a educação, Rio de Janeiro: UERJ, LPP, 2017. p. 7-16.

FILHA, Constantina Xavier. Gênero e Direitos Humanos na Base Nacional Comum Curricular. In: SILVA, Fabiany de Cassia T.; FILHA, Constantina Xavier (orgs). Conhecimentos em disputa na Base Nacional Comum Curricular. Campo Grande: Editora Oeste, 2019.

FLAX, Jane. Pós-modernismo e as relações de gênero na Teoria Feminista. In: Hollanda H. (org.) Pós-modernismo e política. Rio de Janeiro: Rocco, 1992. p. 217-250.

FOUCAULT, Michel. História da sexualidade: a vontade de saber. 13 ed. São Paulo: Edições Graal, 1999.

JUNQUEIRA, Rogério Diniz. “Ideologia de gênero”: a gênese de uma categoria política reacionária – ou: a promoção dos direitos humanos se tornou uma “ameaça à família natural”. In: RIBEIRO, Paula Regina Costa, CORPES, Joanalira (ORGs), Debates contemporâneos sobre Educação para a sexualidade. Rio Grande: Ed. da FURG, 2017, p. 25-52.

LLANOS, Gabriela Castellano. Sexo, género y feminismos: tres categorías en Pugna. Cali, Colombia: Universidad del Vale, 2006.

LOURO, Guacira L. Gênero, sexualidade e educação. 3. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1999.

MIGUEL, Luis Felipe. Da “doutrinação marxista” à “ideologia de gênero”: Escola sem Partido e as leis da mordaça no parlamento brasileiro. Direito & Práxis, Rio de Janeiro, v. 7, n. 15, p. 590-621, 2016

MISKOLCI, Richard; CAMPANA, Maximiliano “Ideologia de gênero”: notas para a genealogia de um pânico moral contemporâneo. Revista Sociedade e Estado, v.32, n. 3, p. 725-747, Set./Dez., 2017.

PRINCÍPIOS DE YOGYAKARTA. Princípios sobre a aplicação da legislação internacional de direitos humanos em relação à orientação sexual e identidade de gênero, 2007. Disponível em: http:// www.dhnet.org.br/direitos/sos/gays/principios_de_yogyakarta.pdf. Acesso em: 12 jul. 2020.

REIS, Toni; EGGERT, Edla. Ideologia de gênero: uma falácia construída sobre os planos de educação brasileiros. Educação e Sociedade Campinas, v. 38, nº. 138, p.9-26, jan-mar., 2017.

RUBIN, Gayle. O tráfico de mulheres: notas sobre a “economia política” do sexo. Pernambuco: SOS Corpo, 1993.

SALAZAR, Ana L. Flores. Políticas públicas de igualdad de género en Chile y Costa Rica: Um estúdio comparado. Tese (Doctorado en Gobierno y Administración Pública), 358p, Universidad Complutense de Madrid, Instituto Universitario de Investigación Ortega y Gasset, 2015.

SCALA, Jorge. La ideología del género. O el género como herramienta de poder. Rosario:
Ediciones Logos, 2010.

SCOTT, Joan. W. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Revista Educação e Realidade. Porto Alegre: UFRGS, v.16. n.2, p.5-22, 1990.

STROMQUIST, Nelly P. Políticas públicas de Estado e equidade de gênero: Perspectivas comparativas. Revista Brasileira de Educação, n. 1, p. 27-49, jan./abr. 1996.

VIANNA, Cláudia. UNBEHAUM, Sandra. Gênero na educação básica: quem se importa? Uma análise de documentos de políticas públicas no Brasil. Educação e Sociedade. Campinas, vol. 27, n. 95, p. 407-428, maio/ago. 2006.

VIANNA, Claudia. Políticas de Educação, gênero e diversidade sexual: breve história de lutas, danos e resistências. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2018. (Série Cadernos da Diversidade)

VIANNA, Cláudia, et al. Gênero e educação: fortalecendo uma agenda para as políticas educacionais. São Paulo: Ação Educativa, Cladem, Ecos, Geledés, Fundação Carlos Chagas, 2016.

VIOTTI, Maria Luiza Ribeiro. Declaração e Plataforma de Ação da IV Conferência Mundial Sobre a Mulher - Pequim, 1995. Instrumentos internacionais de direitos das mulheres, p. 148-158: Disponível em: http://www.unfpa.org.br/Arquivos/declaracao_beijing.pdf. Acesso em: 17 mai. 2020.

Downloads

Publicado

2021-02-01

Como Citar

Furlin, N. (2021). DO GÊNERO À “IDEOLOGIA DE GÊNERO” NO CAMPO DAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS: APONTAMENTOS TEÓRICOS, HISTÓRICOS E POLÍTICOS. Práxis Educacional, 17(44). https://doi.org/10.22481/praxisedu.v17i44.7042