Por que o afeto é importante para a política? Implicações teórico-estratégicas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22481/praxisedu.v17i48.8939

Palavras-chave:

afeto, teoria de currículo, teoria do discurso

Resumo

O presente trabalho reivindica o afeto como mais uma dimensão a ser considerada na produção das políticas curriculares em sua condição constitutiva. Propõe um debate acerca das implicações teórico-estratégicas dos afetos a partir da incorporação da perspectiva discursiva de Ernesto Laclau e Chantal Mouffe. Para tal empreitada, opera com as lógicas do social e do político, como também a partir da lógica fantasmática, seguindo a argumentação de Jason Glynos e David Howarth. Num duplo gesto, essa argumentação coloca em causa a naturalização do caráter paradigmático do pensamento cartesiano e argumenta em defesa das práticas articulatórias como uma opção teórico-estratégica para pôr a significação em movimento e explorar jogos de linguagem que deem passagem aos afetos na política.

Palavras-chave: afeto; política de currículo; teoria do discurso.

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Biografia do Autor

Veronica Borges de Oliveira, Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Brasil

Doutora em Educação na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); Pós-Doutorado (em andamento)  na Universidade de Lisboa (ULisboa), atuando no Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Brasil.

Alice Casimiro Lopes, Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Brasil

Doutora em Educação na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com Pós-Doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), atuando no Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Grupo de Pesquisa Políticas de Currículo e Cultura. Bolsista de Produtividade do CNPq nível 1 A, Cientista do Nosso Estado Faperj e Procientista Faperj/Uerj.

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Publicado

2021-09-01

Como Citar

OLIVEIRA, V. B. de; LOPES, A. C. . Por que o afeto é importante para a política? Implicações teórico-estratégicas. Práxis Educacional, [S. l.], v. 17, n. 48, p. 1-22, 2021. DOI: 10.22481/praxisedu.v17i48.8939. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/index.php/praxis/article/view/8939. Acesso em: 18 set. 2021.