Higiene, celibato e homossexualidade masculina no século XIX (1860-1870)
DOI:
https://doi.org/10.22481/politeia.v22i1.12652Resumo
No século XIX, o celibato era compreendido como uma opção de vida moralmente e higienicamente reprovável. Numa sociedade onde a defesa do casamento era avidamente propalada, homens solteiros, especialmente brancos, eram objeto de um misto de curiosidade e maledicência e apresentados pelos médicos como não totalmente normais: ou davam-se a práticas libertinas e, assim, levariam doenças para o seio das famílias ou eram doentes em si mesmos do ponto de vista da constituição física. Neste artigo, pretende-se apresentar de que forma o celibato era compreendido, em teses médicas do século XIX, como uma condição propícia para o surgimento de relações erótico-afetivas entre pessoas do mesmo gênero.
Downloads
Referências
ARAÚJO, L. J. de C. e. Influência do celibato sobre a saúde do homem. 1870. Tese (Doutorado) – Faculdade de Medicina da Bahia, Bahia, 1870.
AZEVEDO, A. O cortiço. Cotia: Ateliê, 2012.
BARROS, F. B. de. Influência do celibato sobre a saúde do homem. 1869. Tese (Doutorado) – Faculdade de Medicina da Bahia, Bahia, 1869.
BRITTO, M. de F. A libertinagem e seus perigos relativamente ao físico e moral do homem. 1853. Tese (Doutorado) – Faculdade de Medicina da Bahia, Bahia, 1853.
CELIBATO clerical. O Noticiador Catholico: periódico consagrado aos interesses da religião, ano 2, n. 90, 1850.
CERQUEIRA E SILVA, J. Q. N. Casamento, cabaço, cabaceira: os imaginários de gênero e da honra na Bahia dos oitocentos. 2010. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2010.
CHERNOVIZ, P. L. N. Diccionario de medicina popular e das sciencias accessorias. 6. ed. Paris: A. Roger & F. Chernoviz, 1890. 2 v.
DUARTE, D. V. S. O problema da penalização de homossexuais em fins do século XIX: nomear, tratar e punir. Ponta de Lança: Revista Eletrônica de História, Memória & Cultura, v. 16, n. 31, fev. 2023. Disponível em: https://seer.ufs.br/index.php/pontadelanca/article/view/17751
. Acesso em: 17 maio 2023.
DIÁLOGOS sobre a lei e o voto do celibato (direito canônico). O Atheneo: periódico scientifico e litterario, n. 12, abr. 1850.
ENGEL, M. Meretrizes e doutores: saber médico e prostituição no Rio de Janeiro (1840-1890). São Paulo: Brasiliense, 2004.
FREIRE, J. Contradições poéticas e inéditas. Salvador: Janaína, 1970. 2 v. (Os baianos).
FLORES, M. B. R. A medicalização do sexo ou o amor perfeito. Revista de Ciências Humanas da UFSC, n. 29, 2001. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/revistacfh/article/view/24034
. Acesso em: 12 jun. 2015.
FOUCAULT, M. Arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense, 2014.
GOMES JUNIOR, J. Sobre frescos e bagaxas: uma história social do homoerotismo e da prostituição masculina no Rio de Janeiro entre 1890 e 1938. 2019. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2019.
GRAHAM, S. L. Caetana diz não: histórias de mulheres da sociedade escravista brasileira. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.
GREEN, J. N. Além do carnaval: a homossexualidade masculina no Brasil do século XX. São Paulo: Ed. da UNESP, 2000.
GREEN, J. N.; POLITO, R. Frescos trópicos: fontes sobre a homossexualidade masculina no Brasil (1870-1980). Rio de Janeiro: José Olympio, 2009.
KIMMEL, M. S. A produção simultânea de masculinidades hegemônicas e subalternas. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 4, n. 9, p. 103-118, ago. 1998.
LEMOS, J. P. Breves considerações acerca do celibato professado pelas mulheres. 1851. Tese (Doutorado) – Faculdade de Medicina da Bahia, Bahia, 1851.
MARQUES, S. T. Influência do celibato sobre a saúde do homem. 1870. Tese (Doutorado) – Faculdade de Medicina da Bahia, Bahia, 1870.
MATTOSO, K. Família e sociedade na Bahia do século XIX. São Paulo: Corrupio, 1987.
MELLO MORAES, A. J. Diccionario de medicina e therapeutica homoeopathica ou a homoeopathia posta ao alcance de todos. Rio de Janeiro: Typographia Nacional, 1872.
MOTT, L. R. B. Homossexuais da Bahia: dicionário biográfico (séculos XVI-XIX). Salvador: Grupo Gay da Bahia, 1999.
MOTT, L. Teses acadêmicas sobre a homossexualidade no Brasil. In: SEMINAR ON THE ACQUISITION OF THE LATIN AMERICAN LIBRARY MATERIALS (SALALM), 39., 1994, Salt Lake City. Anais... Salt Lake City, 1994.
OLIVEIRA, C. Higiene matrimonial, sexualidade e modos de subjetivação no Brasil do século XIX (1847-1890). Revista EPOS, Rio de Janeiro, v. 4, n. 2, jul.-dez. 2013.
O ALABAMA. Periódico satírico e chistoso, ano 2, n. 45, 5 abr. 1864.
OS ESTROINAS de Pariz. O Monitor, n. 248, 30 mar. 1878.
NOTÍCIAS diversas. O Monitor, ano 3, n. 286, p. 1, 1 jun. 1879.
PARVILLE, H. O casamento. O Monitor, ano 4, n. 1, 1 jun. 1879.
PIMENTEL, I. L. de V. Casamentos ilegítimos diante da higiene. 1864. Tese (Doutorado) – Faculdade de Medicina da Bahia, Bahia, 1864.
PINTO, L. M. da S. Diccionario da lingua brasileira. Rio de Janeiro: Typographia de Silva, 1832.
RIBEIRO, M. A. R. A Faculdade de Medicina da Bahia na visão de seus memorialistas. Salvador: EDUFBA, 2014.
RAGO, E. J. Outras falas: feminismo e medicina na Bahia, 1836-1931. São Paulo: Annablume, 2007.
RIOS, V. D. B. Entre a vida e a morte: medicina, médicos e medicalização na cidade de Salvador (1860-1880). 2001. Dissertação (Mestrado em História Social) – Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2001.
SCOTT, J. Gênero: uma categoria útil para a análise histórica. Disponível em: http://disciplinas.stoa.usp.br/pluginfile.php/185058/mod_resource/content/2/G%C3%AAneroJoan%20Scott.pdf
. Acesso em: 12 mar. 2013.
SILVA, F. P. da. Hygiene dos collegios. 1869. Tese (Doutorado) – Faculdade de Medicina da Bahia, Bahia, 1869.
SILVA, D. V. dos S. A captura do prazer: homossexualidade masculina e saber médico na Bahia do século XIX (1850-1900). 2015. Dissertação (Mestrado em História Social) – Universidade Federal da Bahia, 2015.
SOARES, A. C. E. C. Representações textuais da masculinidade: o celibato clerical em “Ex-homem” de José de Alencar. Projeto História, n. 45, p. 61-85, jul.-dez. 2012. Disponível em: http://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/view/15007/11201
. Acesso em: 3 ago. 2015.
STOLKE, V. O enigma das interseções: classe, “raça”, sexo, sexualidade. Estudos Feministas, v. 14, n. 1, p. 14-42, jan.-abr. 2006. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/S0104-026X2006000100003
. Acesso em: 10 jun. 2015.
AUMENTO da população em França. Gazeta Médica da Bahia, ano 2, n. 32, out. 1867.
VERONA, E. M. Da feminilidade oitocentista. 2007. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, 2007. Disponível em: http://hdl.handle.net/11449/93274
. Acesso em: 21 jul. 2015.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Politeia - História e Sociedade

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.