Corpo-(a)travessias nas quebradeiras da Liberdade
Palavras-chave:
Liberdade, Quilombo, Periferia, Corpografia, MemóriaResumo
Nas ruas e travessas encruzilhadas no bairro da Liberdade, o corpo que se movimenta é o mesmo que grafa sua memória nos asfaltos que permeiam o lugar, bem como também é grafado a partir dos atravessamentos comunidade-localidade. Esta grafia advinda de um ensaio afetivo, dançante/cinético e memorialístico, é gestada a partir da conexão entre pertencimento, poéticas do pagode baiano, movimento afrodiaspórico encruzilhadístico que fala sobre literaturas outras produzidas no quilombo da Liberdade. Além das oralituras grafadas pelo Ilê Aiyê, a memória que se apresenta neste trabalho swinga ao som do pagodão que afeta a (a)travessia do meu corpo em movência para falar sobre o meu pertencimento ao meu bairro-berço que me embala individual e coletivamente e para falar sobre a literatura periférica afrodiaspórica produzida no cotidiano dos corpos negros deste bairro histórico que se (re)territorializa frequentemente. Assim, buscando apresentar outras perspectivas quanto ao bairro periférico da Liberdade, situado em um entre-lugar que divide a Cidade Alta da Cidade Baixa, objetiva-se analisar a minha memória pessoal-literária junto às poesias e imagens que referem-se ao bairro enquanto um quilombo, rompendo o imaginário de dor e morte e saindo do lugar de esquecimento imposto a nós, moradores da Liberdade. Para isso, utiliza-se o aporte teórico da encruzilhada (Martins, 2021), da paz quilombola e da permanência do quilombo na Liberdade (Nascimento, 2021) – fato que também é omitido por vezes, focalizando apenas o quilombo do Ilê Aiyê –, além do conceito de pertencimento (hooks, 2022).
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