Ensaio aberto sobre contemporaneidade, universalidade e forma na literatura negra: o caso Isaias Caminha

Autores

Palavras-chave:

Crítica Literária, Literatura negra, Lima Barreto, Universalidade

Resumo

Esse texto parte da constatação de uma das características centrais da obra de Lima Barreto, sua  eterna contemporaneidade, normalmente atribuída a atualidade das relações sociais e raciais presentes em seus textos, mesmo eles tendo sido escritos no início do século XX. Junto a essa dimensão profética e ao mesmo tempo documental de sua literatura, propomos, de forma breve e tópica, considerarmos que os motivos pelos quais sua obra continua tão atual cem anos depois, pode ter relação com a universalidade da temática racial para a compreensão da subjetividade de qualquer pessoa, após a invenção da modernidade, como também pelas rasuras estéticas que o autor opera na forma romance, a partir da experiência negra dessa mesma modernidade. O debate feito aqui, em torno  do texto barretiano, serve como metonímia para compreendermos dispositivos de recepção crítica destinados as obras negras, e imaginarmos outros modos de nos relacionar com esses textos, considerando, quando for o caso, suas dimensões estéticas disruptivas e a universalidade da experiência contida nas formas de suas experimentações.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Augusto, Jorge. “Modernismo negro: a literatura de Lima Barreto”. Salvador: Segundo Selo, 2024.

Bento, Cida. O pacto narcisiso da Branquitude. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

Buck-Morss, Susan. Hegel e o Haiti. São Paulo. N-1 Edições. p. 86.

Carneiro, Sueli. Dispositivo de racialidade: a construção do outro como não ser, como fundamento do

ser. Rio de Janeiro. Zahar, 2023.

Cuti. Lima Barreto. Selo Negro, 2011.

Fantinti, Carlos Erivany. O profeta e o escrivão: Estudo sobre Lima Barreto”. Hucitec, 1978.

Figueiredo, Carmem Lúcia Negreiros de. Lima Barreto e o Romance: crítica e crise. In Teresa: Revista

de literatura brasileira [14]. São Paulo, 2014. p 141-166.

Foucault, Michel. É preciso defender a sociedade: curso do Colégio de França (1975-1976). Carnaxi-

de: Livros do Brasil, 2006.

Foucaut, Michel. As palavras e as coisas. São Paulo: Martins Fontes, 2022.

Hartman, Saidiya. Scenes of subjection: terror, slavery, and Self-Making in Nineteeth-Century Ameri-

ca. Nova York: Oxford University Press, 1997.

Mbembe, Achille. Crítica da razão negra. Lisboa: Antigona, 2014.

PIGNATARI, Décio. CAMPOS, Augusto. CAMPOS, Haroldo. Teoria da poesia concreta. Cotia, São

Paulo. Ateliê Editorial, 2006.

PINHO, Osmundo. O Círculo da morte e o Materialismo estético. In: FLAUZINA, A.; VARGAS, J.

Motim: horizontes do genocídio anti- negro na diáspora. Brasília: Brado Negro, 2017.

QUIJANO, A. Colonialidade do Poder. In: LANDER, E. (org). Colo- nialidade do Saber. Buenos Ai-

res: CLACSO, 2005.

SCHWARCZ, L. M. Lima Barreto: triste visionário. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.

SEVCENKO, Nicolau. Literatura como Missão: tensões sociais e criação cultural na Primeira Repú-

blica. 2ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2003

SODRÉ, Muniz. O fascismo da cor. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2023.

Downloads

Publicado

2026-09-28

Como Citar

AUGUSTO, Jorge. Ensaio aberto sobre contemporaneidade, universalidade e forma na literatura negra: o caso Isaias Caminha. Revista de Literatura Negra Gongolo, [S. l.], v. 1, n. 1, p. 190–202, 2026. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/relin/article/view/20015. Acesso em: 10 out. 2026.