Negros, morenos e quilombolas: resistência e mobilização étnico-política das comunidades quilombolas do Arrojado (Portalegre/RN) e de Queimadas (Currais Novos/RN)

Resumo

Este artigo analisa os processos de resistência negra em duas comunidades quilombolas, a do Arrojado em Portalegre/RN e a de Queimadas em Currais Novos/RN. A discussão aqui proposta pretende relacionar as ideias de África, exílio e sertão ao contexto da escravidão e do colonialismo e, por conseguinte, compreender os usos e apropriações de categorias identitárias, como quilombolas, dentro de processos políticos de afirmação étnica e do enfrentamento ao racismo. A intenção é discorrer os efeitos da luta pelo reconhecimento étnico na reorganização social e política das referidas comunidades, assim como no recontar ou reescrever uma história que é marcada pela memória da escravidão e por valores, representações e práticas que as vinculam aos seus territórios. Busca-se, portanto, acompanhar a luta política dos quilombolas que visa o reconhecimento identitário e assegurar o exercício da cidadania frente aos aparatos de Estado.


Palavras-chaves: escravidão, história, identidade étnica, cidadania e racismo.

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Publicado
2020-06-30
Como Citar
VIEIRA, José Glebson; SANTOS, Maria; SOUZA, Maria José da Silva. Negros, morenos e quilombolas: resistência e mobilização étnico-política das comunidades quilombolas do Arrojado (Portalegre/RN) e de Queimadas (Currais Novos/RN). ODEERE, [S.l.], v. 5, n. 9, p. 251-280, jun. 2020. ISSN 2525-4715. Disponível em: <http://periodicos2.uesb.br/index.php/odeere/article/view/6665>. Acesso em: 08 jul. 2020. doi: https://doi.org/10.22481/odeere.v5i9.6665.