O que o diagnóstico não diz: Transtorno do Espectro Autista, trajetória educacional e constituição identitária

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22481/aprender.33.17167

Palavras-chave:

Transtorno do Espectro Autista, Diagnóstico tardio, Teoria Histórico-Cultural, Inclusão na universidade, Escuta clínica

Resumo

O presente artigo analisa os processos de subjetivação acerca do diagnóstico tardio de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em pessoas autistas no ensino superior, a partir de uma abordagem qualitativa fundamentada na Psicologia Histórico-Cultural. Com base na experiência de uma escuta clínica de uma participante diagnosticada na vida adulta, são investigadas as implicações da camuflagem social, as mediações institucionais e a produção de sentidos subjetivos ao longo da trajetória educacional. A análise articula elementos simbólicos, afetivos e sociais, evidenciando como o diagnóstico pode operar tanto como instrumento de reorganização subjetiva quanto como marcador de estigmas, especialmente quando inserido em instituições que mantêm discursos inclusivos dissociados de práticas efetivas. A clínica, neste contexto, emerge como espaço de resistência simbólica, escuta implicada e reconstrução de pertencimento. Dessarte, esse artigo propõe um diálogo crítico entre psicologia, educação e políticas de inclusão, destacando a escuta como prática ética e política frente ao sofrimento invisibilizado de pessoas autistas com diagnóstico tardio.

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Biografia do Autor

Katícia Martins Guimarães, Pontifícia Universidade Católica de Goiás

Especialista em Psicologia Analítica (PUC- GO) e autista nível 1 de suporte.

Michell Pedruzzi Mendes Araújo, Universidade Federal de Goiás

Doutor em Educação (UFES). Programa de Pós-graduação em Psicologia (PPGP/UFG).

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Publicado

2025-06-30

Como Citar

GUIMARÃES, Katícia Martins; ARAÚJO, Michell Pedruzzi Mendes. O que o diagnóstico não diz: Transtorno do Espectro Autista, trajetória educacional e constituição identitária. APRENDER - Caderno de Filosofia e Psicologia da Educação, [S. l.], v. 19, n. 33, p. 48–60, 2025. DOI: 10.22481/aprender.33.17167. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/aprender/article/view/17167. Acesso em: 21 maio. 2026.