O que o diagnóstico não diz: Transtorno do Espectro Autista, trajetória educacional e constituição identitária
DOI:
https://doi.org/10.22481/aprender.33.17167Palabras clave:
Transtorno do Espectro Autista, Diagnóstico tardio, Teoria Histórico-Cultural, Inclusão na universidade, Escuta clínicaResumen
O presente artigo analisa os processos de subjetivação acerca do diagnóstico tardio de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em pessoas autistas no ensino superior, a partir de uma abordagem qualitativa fundamentada na Psicologia Histórico-Cultural. Com base na experiência de uma escuta clínica de uma participante diagnosticada na vida adulta, são investigadas as implicações da camuflagem social, as mediações institucionais e a produção de sentidos subjetivos ao longo da trajetória educacional. A análise articula elementos simbólicos, afetivos e sociais, evidenciando como o diagnóstico pode operar tanto como instrumento de reorganização subjetiva quanto como marcador de estigmas, especialmente quando inserido em instituições que mantêm discursos inclusivos dissociados de práticas efetivas. A clínica, neste contexto, emerge como espaço de resistência simbólica, escuta implicada e reconstrução de pertencimento. Dessarte, esse artigo propõe um diálogo crítico entre psicologia, educação e políticas de inclusão, destacando a escuta como prática ética e política frente ao sofrimento invisibilizado de pessoas autistas com diagnóstico tardio.
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