A colonização e o silenciamento de um comer ancestral
DOI:
https://doi.org/10.22481/aprender.35.18985Palavras-chave:
Ancestralidade, Colonialidade, Comida, Espinosa, AfetosResumo
Para além de sua função biológica de nutrição e manutenção do organismo, a alimentação configura-se como um ponto de convergência entre dimensões culturais, políticas e históricas de um grupo. Mais do que um gesto de partilha, o preparo e o consumo de alimentos podem atuar como mediadores de vínculos, memórias e continuidades, ao articular relações entre aqueles que ficaram e os que já partiram. Em territórios dizimados pela violência dos projetos coloniais, todavia, um obstáculo para a continuidade dessas práticas é instaurado. Diante desse cenário, o presente material visa analisar as resistências ameríndias às estruturas coloniais através das práticas alimentares ancestrais. Para isso, foi realizado o levantamento bibliográfico sobre a história da alimentação no Brasil, de modo a coletar informações sobre a interface das práticas alimentares dos povos originários e os diferentes modos de relações cultivadas entre os vivos e os mortos. Aos dados coletados, foi realizada uma análise fundamentada na Ética de Benedictus de Espinosa e na etologia dos mortos de Vinciane Despret, em diálogo crítico com as teorias anticoloniais. Os resultados demonstram que a ocidentalização do comer não constitui apenas uma mudança de hábitos, mas uma tecnologia epistemicida que opera pelo enfraquecimento de uma potência de existir.
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