Fernand Deligny e o lugar do espírito a-sujeitado
DOI:
https://doi.org/10.22481/aprender.33.17162Palavras-chave:
Deligny, Espírito, Sujeito, AutismoResumo
Fernand Deligny, em Le Croire e le craindre (1978), irá relacionar Janmari, criança autista que adotou aos 12 anos de idade, ao personagem Robinson do romance de Michel Tournier intitulado Sexta-feira ou os limbos do pacífico, e Victor de Aveyron, um “garoto selvagem” que foi encontrado num bosque da França no século XVIII. Apelamos a essa relação para podermos pensar a distinção entre diferentes registros perceptivos do humano que dão origem a diferentes formas de agir no mundo. Essa distinção é corroborada pela existência de indivíduos humanos que vivem fora do registro do sujeito a partir de uma dimensão instintiva e inata do espírito. Na hipótese de que existe no pensamento de Hume uma distinção entre a instância do espírito e a instância do sujeito, nosso objetivo será discutir a possibilidade de um espírito a-sujeitado, ou que não se submete às estruturas do sujeito, a partir das experiências de Fernand Deligny com as crianças autistas não verbais com as quais conviveu nas montanhas de Cévennes, bem como perspectivar a sua crítica ao processo de domesticação operado pela linguagem, responsável por forjar um modelo de humanidade que se afirmou ao longo da história da civilização e da cultura.
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