Exu: sagrado e profano

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DOI:

https://doi.org/10.22481/odeere.v3i3.1573

Resumo

Nosso estudo retoma contribuições de Georges Bataille, Pierre Verger, Edgar Morin, Ronilda Iyakemi Ribeiro, Stefania Capone, Monique Augras com vistas a discutir Exu, deus nagô e dos terreiros de umbanda, ambíguo e paradoxal, macho e fêmea, sagrado e profano. Responsável pela ordem do universo tem caráter virulento, atrevido e sem vergonha. Vindo ao mundo com um porrete mágico, metonímia de seu falo ereto, choca o decoro, a moral e a cristandade. Constrange os proscritos e as normas, embaralha as dicotomias bem marcadas do Ocidente. Rompe com os tabus e estabelece nova (des)ordem, ação erótico-sagrada que remete à árvore da vida e ao gozo fértil de Exu. Quem incita (excita) à Vida é Exu, deus trickster a convidar: vem. Trabalharemos com textos de gêneros diversos, a saber, conto, poema, tela, fotografia para que deles salte um perigoso ambivalente como Madame Satã, Maria Navalha, Zé Pelintra, faces de Exu: travesti, travesso, erótico-sagrado, híbrido, cujas metamorfoses continuas plagiam a si mesmo, podendo até ser visto em calendário trans. 

Palavras-Chave: Exu, Sagrado, Profano, Trickster.

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Publicado

2017-07-14

Como Citar

Fernandes, A. de O. (2017). Exu: sagrado e profano. ODEERE, 2(3), 53-76. https://doi.org/10.22481/odeere.v3i3.1573