Resistência feminina negra indígena e política ambiental no Estado da Bahia: colonialismos contemporâneos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22481/odeere.v6i01.8579

Palavras-chave:

Litoral Sul da Bahia, Mulheres negro-indígenas, Resistência, Política ambiental euro americana

Resumo

Neste artigo busca-se iluminar o papel e a resistência das mulheres nativas negro-indígenas do Litoral Sul da Bahia frente à atuação da política ambiental do Estado, posta por meio da criação do PESC – o Parque Estadual da Serra do Conduru –, pelo Decreto Estadual nº 6.227 de 1997, em áreas dos municípios de Ilhéus, Uruçuca e Itacaré. Considerando a historicidade do território e de suas populações tradicionais, almejamos apontar como a importação e a instalação de um modelo de criação de área de proteção ambiental baseado no paradigma euro-estadunidense da conservação da natureza versus presença humana[1], de que fala Diegues, são violentas à existência e às formas de vida e ocupação das populações nativas residentes nesse território, revelando o racismo ambiental e a política de apagamento e morte destinada aos corpos e territórios negro-indígenas do litoral do estado mais negro do país[2]. Neste contexto de luta pelo território de identidade e pela própria identidade, as mulheres negro-indígenas do Litoral Sul da Bahia aparecem como importantes agentes de resistência e defesa da vida e da natureza.

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Biografia do Autor

Jaqueline Souza de Jesus, Programa de Pós-Graduação em Relações Étnicas e Contemporaneidade

Graduada em Letras pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-  UESB. Pós- graduanda em Linguística e ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa- POSLIN-UESB. Mestranda em Relações Étnicas e Contemporaneidade pelo PPGREC-UESB. 

Regina Marques de Souza Oliveira, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

Pós-Doutora/Professora Convidada (Bolsa CAPES, 2016) pelo IMAF/EHESS (Instituto dos Mundos Africanos da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais - EHESS/Paris. Doutora em Psicologia em 2008 (PUC/SP- Brasil e EHESS-Paris/França/Colegio Doutoral Franco Brasileiro, co-tutela, Programa da Fundação Capes), Mestre em Psicologia Social (2003, Bolsa CNPQ), Especialista em Psicoterapia Psicanalítica (1997) e Psicóloga (1993). Docente na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, desde 2009. Professora do Mestrado em Relações Étnicas e Contemporaneidade da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Psicanálise, Identidade, Negritude e Sociedade – NEPPINS/UFRB.

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Publicado

2021-06-30

Como Citar

de Jesus, J. S., & Marques de Souza Oliveira, R. . (2021). Resistência feminina negra indígena e política ambiental no Estado da Bahia: colonialismos contemporâneos. ODEERE, 6(01), 342-369. https://doi.org/10.22481/odeere.v6i01.8579