Livros didáticos na Educação Infantil: usá-los ou não?

Autores

  • Isaura Lays Sá Fernandes de Souza Universidade Federal de Alagoas / Campus Arapiraca
  • Ana Paula Solino Bastos Universidade Federal de Alagoas (Campus do Sertão)
  • Maria Danielle Araújo Mota Universidade Federal de Alagoas, Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde- ICBS.

DOI:

https://doi.org/10.22481/riduesb.v7i1.10416

Palavras-chave:

Educação infantil, Brincadeira, Alfabetização, educação infantil. brincadeira. alfabetização. livro didático.

Resumo

Neste trabalho, objetiva-se analisar o papel da brincadeira e da participação infantil em atividades propostas em um livro didático da Educação Infantil. Metodologicamente, foi realizada uma pesquisa qualitativa do tipo documental, a qual tomou como objeto de estudo o livro manual do professor da Pré-escola para crianças de quatro anos. O livro foi analisado por meio da Análise Textual Discursiva, a partir das seguintes categorias: a) O brincar como ferramenta pedagógica e b) Participação e o desenvolvimento das múltiplas linguagens infantis. Dentre os resultados, constatou-se que apesar da boa qualidade gráfica da coleção e das ilustrações retratarem a diversidade cultural do nosso país, as atividades sugeridas para crianças de quatro anos apresentam exercícios similares àqueles propostos para os anos iniciais do ensino fundamental, estimulando de forma precoce a alfabetização e o letramento, por explorar exclusivamente a literacia e a numeracia. Sendo assim, a brincadeira e a participação infantil considerados, desde então, como eixos fundamentais a serem explorados nesta etapa da educação básica, aparecem de forma superficial, descaracterizando a criança enquanto sujeito ativo que aprende brincando e interagindo, os quais por meio das experiências é que desenvolve o pensamento simbólico e produz cultura.

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Publicado

2022-07-10

Como Citar

Souza, I. L. S. F. de, Bastos, A. P. S., & Mota, M. D. A. (2022). Livros didáticos na Educação Infantil: usá-los ou não?. Revista De Iniciação à Docência, 7(1), 58-76. https://doi.org/10.22481/riduesb.v7i1.10416