Homens profanos: fluidez identitária entre renegados "portugueses" na Índia (c.1540-1612)

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DOI:

https://doi.org/10.22481/politeia.v20i1.9001

Resumo

O presente artigo oferece análise a respeito de trajetórias de três homens categorizados como apóstatas renegados pelo Santo Ofício de Goa. Súditos da Coroa portuguesa, tais homens, que viveram na Índia a partir de meados dos Quinhentos, aventuraram-se para além dos limites da entidade imperial luso-asiática, o Estado da Índia. Partindo para o Decão, no interior do subcontinente indiano, serviram a sultões, lutaram a favor destes contra portugueses, tornaram-se muçulmanos, assumiram aparência de iogues e retornaram à Cristandade lusitana. Neste contexto, metamorfosearam-se em outros para sobreviverem a duras condições de vida, bem como para escaparem de algozes. De modo a compreender como se deram tais transformações, sobretudo, quanto à identidade dos três renegados, cujas experiências foram analisadas pelo presente artigo mais detidamente a partir de documentação inquisitorial, foram utilizados os conceitos de sagrado e profano de Giorgio Agamben como principais instrumentos teóricos.

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Biografia Autor

Eduardo Borges de Carvalho Nogueira, Colégio Pedro II, Rio de Janeiro

Professor do Departamento de História do Colégio Pedro II, Rio de Janeiro. Doutor em História Social pela Universidade Estadual do Rio de janeiro (UERJ).

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Publicado

2021-08-16

Como Citar

NOGUEIRA, Eduardo Borges de Carvalho. Homens profanos: fluidez identitária entre renegados "portugueses" na Índia (c.1540-1612). Politeia - História e Sociedade, [S. l.], v. 20, n. 1, p. 23–44, 2021. DOI: 10.22481/politeia.v20i1.9001. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/politeia/article/view/9001. Acesso em: 21 mai. 2026.