Dossiê - Muniz Sodré
Dossiê Junho/2027 – Prazo de envio até 01 de Maio de 2027
Organizadores: Jorge Augusto (UESB) Silvana Carvalho da Fonseca (UFRB) Henrique Freitas (UFBA)
O pensamento singular de Muniz Sodré, Obá de Xangô, do Ilê Axé Opô Afonjá e imortal da Academia de Letras da Bahia, atravessa um imenso arco disciplinar, sendo vanguarda teórica em diversos campos, como a sociologia, antropologia, comunicação, filosofia e literatura. Sua obra teórica e literária é marcada pelo intenso e refinado mergulho no repertório cultural negro-africano reposto no Brasil, investindo na centralidade dessa herança para a construção de um pensamento brasileiro. Esse diálogo vem acompanhado de um extenso conhecimento do pensamento teórico ocidental, que é posto em xeque e em diálogo, de forma tensiva e criativa, diante das gnoses afro-brasileiras e africanas. Sua produção teórica vai de encontro aos caminhos consagrados na tradição brasileira de pensar a produção intelectual e artística nacional, bem como a nossa produção teórica em dissenso ou subordinação, em relação ao pensamento ocidental ou ao eurocentrismo. Em Muniz Sodré, a tensão, como o diálogo e a troca não hierarquizadas, são caminhos epistêmicos legados pelas tradições africanas para uma epistemologia negro-brasileira. A densa contribuição desse pensador brasileiro está espalhada em quase uma centena de artigos e livros, publicados por ele ao longo da sua vasta carreira como comunicador, docente, tradutor e intelectual. Esse dossiê pretende receber trabalhos que explorem a relevância fundamental do trabalho de Muniz Sodré em suas múltiplas dimensões, para a produção e invenção de um outro Brasil, no qual o legado africano seja compreendido como potência criadora de uma sociedade verdadeiramente democrática e diversa. Para esse Dossiê, receberemos textos das mais diversas áreas que partam do diálogo com o pensamento do mestre Muniz Sodré, ou que abordem diretamente a importância de suas proposições para campos de saber distintos, constituídos no Brasil.