Escritura de processo e o arquivo crítico da língua no Caderno de pensamentos de Carolina Maria de Jesus

Autores

Palavras-chave:

Carolina Maria de Jesus, Caderno de pensamentos, Escrita

Resumo

Este artigo apresenta reflexões acerca de escritos inéditos presentes no acervo de Carolina Maria de Jesus, ao qual nomeio Caderno de Pensamentos. Entendo como um gênero documental importante para os estudos das letras negras no Brasil, em contexto de diáspora. Apresento que, apesar da relevância material e epistemológica desses cadernos para compreender os modos de escrever, pensar e formular linguagem na primeira metade do século XX (e antes dela), a academia sequer trouxe esse gênero para debate. A partir de uma reconstrução teórica, tenho desenvolvido o conceito de escritura de processo e demonstro que os cadernos operam como laboratórios linguísticos de larga importância para a constituição histórica da língua portuguesa — sobretudo pela presença de rasuras, versões intermediárias, interferências de oralidade, marcas idioletais, soluções gráficas não-normatizadas e sintaxes experimentais que raramente chegam às versões publicadas. Defendo, portanto, que o caderno de pensamentos constitui um arquivo crítico da língua em movimento, cuja ausência no repertório filológico compromete a compreensão de trajetórias textuais e da história da escrita em português.

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Referências

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Publicado

2026-09-28

Como Citar

FLÔR, Verônica de Souza Santos. Escritura de processo e o arquivo crítico da língua no Caderno de pensamentos de Carolina Maria de Jesus. Revista de Literatura Negra Gongolo, [S. l.], v. 1, n. 1, p. 5–25, 2026. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/relin/article/view/19929. Acesso em: 10 out. 2026.