A Encruzilhada do Verso: Exu e a Categoria da Afro-epopeia em Orixás em Cordel, de Bule-Bule
Palavras-chave:
Bule-Bule, epopeia, literaturaResumo
Este artigo analisa a obra Orixás em Cordel (2018), do mestre baiano Bule-Bule, discutindo como a tessitura poética do folheto atua como instrumento político de reparação social, decolonialidade e afirmação da ancestralidade negra no Brasil. Historicamente marcado por exclusões epistemológicas e pela reprodução de intolerâncias religiosas euro-cristãs, o universo tradicional do cordel é aqui rasurado e transformado em um espaço de reverência e preservação da cosmologia iorubá. Para dar conta dessa complexidade estético-espiritual, propõe-se a formulação da categoria teórica da afro-epopeia, um arcabouço crítico voltado para as narrativas míticas dos corpos negros em diáspora, que reposiciona as divindades africanas como heróis filosóficos legítimos no campo dos estudos literários contemporâneos. Justifica-se a centralidade analítica conferida a Exu por ser ele o senhor dos começos, do movimento e da comunicação, constituindo a encruzilhada epistêmica necessária para desconstruir os estereótipos coloniais e implodir o monologismo literário hegemônico.
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