Epidemiologia e qualidade das notificações de dengue no estado de Goiás (2015-2024): uma análise de completude
DOI:
https://doi.org/10.22481/rsc.v22i3.19174Palavras-chave:
dengue, sistemas de informação em saúde, epidemiológica, vigilância, precisão de dadosResumo
A dengue representa um dos mais críticos desafios de saúde pública contemporâneos, exigindo uma vigilância epidemiológica robusta fundamentada na qualidade dos dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Analisar a qualidade do preenchimento (completude) das variáveis nas fichas de notificação de dengue registradas no SINAN no Estado de Goiás entre 2015 e 2024. Estudo transversal e descritivo utilizando dados secundários do DATASUS. A qualidade foi avaliada pelo atributo da completitude, utilizando o escore de Romero e Cunha para classificar as variáveis em cinco categorias (Excelente a Muito Ruim). O processamento dos dados foi realizado nos softwares Tabwin e IBM SPSS Statistics, versão 24. Observou-se uma discrepância acentuada na qualidade dos dados. Variáveis de identificação (idade, sexo, município) apresentaram completitude excelente (100%), induzida por travas técnicas do sistema. Em contraste, variáveis socioeconômicas como raça/cor (77%) e escolaridade (71%) foram classificadas como ruins. Identificou-se um "apagão" informacional nos sinais de alarme e gravidade, com completitude irrisória (1,92% a 0,15%), revelando uma inversão lógica onde os dados clínicos só são preenchidos após a classificação final do caso. A vigilância virológica também se mostrou frágil, com apenas 2,06% de preenchimento para o sorotipo viral. O SINAN em Goiás funciona eficientemente como um fluxo administrativo, mas falha gravemente na documentação clínico-epidemiológica. A inversão lógica no preenchimento dos sinais de gravidade compromete o monitoramento da letalidade. É imperativa a implementação de programas de Educação Permanente para que os profissionais valorizem o registro como ferramenta assistencial e não meramente burocrática.
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