ASSOCIAÇÃO DA IDADE E TEMPO DE INTERNAÇÃO COM TIPO DE PARTO E ABORTOS
Resumen
A escolha do tipo de parto pode influenciar em aumento de custos, riscos à saúde materno-infantil e deve estar em conformidade com políticas nacionais e internacionais. O objetivo do presente estudo é analisar as características dos atendimentos obstétricos de um Hospital Geral do interior da Bahia e verificar a associação entre tempo de internação, tipo de parto e aborto. Trata-se de um estudo retrospectivo e analítico que avaliou dados de 281 prontuários num período de um ano. Do total de atendimento obstétricos, 135 (48,0%) foram partos cesáreos, 106 (37,7%) naturais e 40 (14,3%) internações por aborto. As mulheres que realizaram parto cesáreo (OR = 2,37; IC95%: 1,6-3,5) e abortaram (OR = 2,38; IC95%: 1,6-3,53) permanecem mais tempo internadas no hospital em comparação com as mulheres que realizaram parto natural. Assim, percebe-se elevada frequência de parto cesáreo e abortos na amostra estudada, o que contribuiu para um aumento no tempo de internação hospitalar. Existe clara necessidade de ações mais efetivas para adequação às normas do Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento, principalmente com relação ao incentivo ao parto natural.
Descargas
Citas
Cruz EG. Perfil de Atendimento de uma Maternidade Estadual de Referência Secundária de Alto Risco em Caruaru, Pernambuco [dissertação]. Recife: Universidade Federal de Pernambuco; 2010.
Cecconello F, Ferraz L. O perfil sócio-demográfico e patológico de gestantes e puérperas admitidas na unidade de terapia intensiva de um hospital do oeste catarinense. Ágora: R. Divulg. Cient. 2010; 17(1): 1-15.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Parto, Aborto e Puerpério: assistência humanizada à mulher. Brasília: Ministério da Saúde; 2003.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Programa de humanização no pré-natal e nascimento. Humanização no Parto. Brasília: Ministério da Saúde; 2000.
Amorim MMR, Souza AS, Porto AMF. Indicações de cesariana baseadas em evidências: parte I. Rev. Feminina. 2010; 38(8): 415-22.
Riquinho D, Correia SG. Mortalidade materna: perfil sócio-demográfico e causal. Rev. Bras. Enferm. 2006; 59(3): 303-7.
World Health Organization (WHO). Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde: 10ª Revisão (CID-10). São Paulo: CBCD; 1995.
Brasil. Ministério da Saúde. Atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde. Brasília: Ministério da Saúde; 2011.
Renner FW, et al. Perfil epidemiológico das puérperas e dos recém-nascidos atendidos na maternidade de um hospital de referência do interior do Rio Grande do Sul no primeiro semestre de 2014. Bol. Cient. Pediatr. 2015; 4(2): 27-32.
Pádua KS, et al. Fatores associados à cesariana em hospitais brasileiros. Rev. Saúde Pública. 2010; 44(1): 70-9.
Freitas PF, et al. Fatores médicos e não-médicos associados às cesarianas em um hospital universitário no Sul do Brasil. Cad. Saúde Pública. 2008; 24(5): 1051-1061.
D’Orsi E, et al. Desigualdades sociais e satisfação das mulheres com o atendimento no parto no Brasil: estudo nacional de base hospitalar. Cad. Saúde Pública. 2014; 30(Supl 1): S154-S168.
Brasil. Ministério da Saúde. DATASUS. Informações de Saúde (TABNET). 2012. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br.
Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 306, de 28 de março de 2016. Aprova as Diretrizes de Atenção à Gestante: a operação cesariana. Brasília: Ministério da Saúde; 2016.
Faúndes A, Cecatti JG. A operação Cesárea no Brasil: incidência, tendências, causas, consequências e propostas de ação. Cad. Saúde Pública. 1991; 7(2): 150-173.
Osava RH, et al. Caracterização das cesarianas em centro de parto normal. Rev. Saúde Pública. 2011; 45(6): 1036-43.
Brasil. Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Média de permanência maternidade. v. 1. Brasília: ANS; 2013.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Prevenção e tratamento dos agravos resultantes da violência sexual contra mulheres e adolescentes. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2005.
Anjos KF, et al. Aborto e saúde pública no Brasil: reflexões sob a perspectiva dos direitos humanos. Saúde Debate. 2013; 37(98): 504-515.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Abortamento previsto em lei em situações de violência sexual. Brasília: Ministério da Saúde; 2008.
Frigério MV, et al. Aspectos bioéticos e jurídicos do abortamento seletivo no Brasil. In: Aborto Legal – Implicações éticas e religiosas. São Paulo: Católicas pelo Direito de Decidir; 2002.
Ramos KS. Mulheres hospitalizadas por abortamento em uma maternidade-escola na cidade do Recife. Rev. Esc. Enferm. USP. 2010; 44(3): 605-10.
Santos VC, et al. Criminalização do aborto no Brasil e implicações à saúde pública. Revista Bioética. 2013; 21(3): 494-508.

