O narciso colonial: branquitude e personalidade autoritária
DOI:
https://doi.org/10.22481/sertanias.v6i2.18537Palavras-chave:
Brancura, Cultura política negra, Nação, Personalidade autoritária, Tradições intelectuais negras radicaisResumo
O objetivo desse artigo é apresentar algumas observações teórico-politicas acerca do recente processo histórico pelo qual o Brasil tem passado, ao menos nos últimos dez anos (segundo nosso juízo ao menos desde 2008), que culminou na vitória do projeto conservador de extrema direita nas últimas eleições. Vale dizer que, embora estejamos preocupados com a (re)emergência do que convencionou-se chamar na teoria social de personalidade autoritária, nosso argumento percorre outras rotas e raízes. Trabalhamos aqui com as tradições intelectuais negras radicais. Por meio de autores como Frantz Fanon e tradições de pensamento como, por exemplo, pós-colonialismo e black existentialism almeja-se tornar inteligível o profundo recorte/linha racial que constitui nosso atual contexto e organiza a vida política nacional. O artigo não se conclui, está sob os desígnios do processo histórico. Sugere, entretanto, que, se por um lado, estamos enfrentando um (re)qualificado debate/disputa acerca formação/regulação racial da Nação. Por outro lado, enfatizamos a necessidade de atribuirmos uma indispensável atenção a cultura política negra (suas epistemologias) e as alternativas que produziu, tanto dentro quanto fora (além) da estética politica moderna.
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