Decolonialidade na formação de professores: horizontes epistêmicos e teórico-metodológicos para a educação indígena
DOI:
https://doi.org/10.22481/sertanias.v6i1.18498Palavras-chave:
Decolonialidade, Educação indígena, Formação de Professores, Interculturalidade Crítica, Pedagogias decoloniaisResumo
Este artigo analisa como a decolonialidade, compreendida enquanto opção epistemológica, teórico-metodológica, pode fundamentar processos de formação de professores que atuam na educação indígena. A partir dos aportes de Quijano (1992), Mignolo (2017; 2008), Dussel (1993; 2012), Maldonado-Torres (2007), Walsh (2009; 2013; 2014) e Candau (2016), discute-se a crítica ao paradigma moderno-colonial, a interculturalidade crítica e as pedagogias decoloniais como bases para repensar currículos e práticas formativas. Metodologicamente, trata-se de um estudo teórico-analítico, sustentado por revisão bibliográfica e análise conceitual. Os resultados indicam que modelos formativos hegemônicos permanecem insuficientes para atender às especificidades socioculturais indígenas e que a decolonialidade oferece caminhos para construir processos educativos horizontais, territorializados e comprometidos com a justiça cognitiva. Conclui-se que pesquisas e formações docentes devem ser realizadas com, e não sobre, povos indígenas.
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Referências
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