A trajetória de inclusão de um estudante cego em um curso de licenciatura: estratégias pedagógicas, a linguagem Matemática e seus desafios

Autores

  • Sandro Salles Gonçalves Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Triângulo Mineiro image/svg+xml

DOI:

https://doi.org/10.23864/cpp-v2-n1-153

Palavras-chave:

Abordagem histórico-cultural, Educação Matemática Inclusiva, Ensino de Cálculo

Resumo

Neste artigo pretendemos retratar e discutir parte da trajetória de inclusão de um estudante cego em um curso de Licenciatura em Matemática estabelecendo um diálogo entre o processo de aprendizagem de conceitos de Cálculo Diferencial e Integral, algumas das práticas pedagógicas adotadas durante o percurso e as dificuldades oriundas da linguagem matemática para esses estudantes. Apresentamos as vozes dos atores envolvidos: o estudante e o pesquisador. Analisaremos ainda as estratégias empregadas por este estudante para internalizar os conceitos envolvidos bem como os objetos utilizados para a realização da tarefa. Em particular, destacaremos neste artigo o conceito de função derivada dentre alguns conceitos estudados por ele. O estudo cujo recorte da nossa dissertação de mestrado retratamos aqui tem por perspectiva a visão sócio histórico e cultural de Vygotsky. Esse autor destaca que um estudante cego tem o mesmo potencial que os estudantes videntes para apropriação de conceitos desde que sua visualização seja estimulada por meio de materiais manipuláveis para trabalhar outros sentidos. A pesquisa, de abordagem qualitativa, teve como instrumento de coleta de dados a observação realizada por meio de filmagens das aulas e dos encontros particulares e de apontamentos realizados durante o decorrer das aulas e de encontros particulares realizados junto com o estudante. Dentre os resultados da pesquisa, retratamos a importância que a confecção destes materiais trouxe para a aprendizagem dos conceitos envolvidos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Sandro Salles Gonçalves, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Triângulo Mineiro

Licenciado em Matemática e Mestre em
Educação Matemática pela Universidade Federal de Ouro Preto-
(UFOP). Professor do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do
Triângulo Mineiro-IFTM, Campus Paracatu.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1427766700478128

Referências

BATISTA, C. G. Formação de conceitos em crianças cegas: questões teóricas e implicações educacionais. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, DF, v. 21, n. 1, p. 7-15, jan./abr. 2005.

BOGDAN, R. C.; BIKLEN, S. K. Investigação qualitativa em educação: uma introdução à teoria e aos métodos. Tradução de M. J. Alvarez, S. B. Santos e T. M. Baptista. Porto: Porto Editora, 1994. (Coleção Ciências da Educação, 12).

BORGES, J. A. S. Do Braille ao DOSVOX: diferenças na vida dos cegos brasileiros. 2009. 327 f. Tese (Doutorado em Engenharia de Sistemas e Computação) – Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009.

DAMBROSIO, U. Educação Matemática: da teoria à prática. 16. ed. Campinas: Papirus, 2008.

DANIELS, H. Vygotsky e a Pedagogia. São Paulo: Loyola, 2003.

COLE, M.; SCRIBNER, S. Vygostky: a formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984.

FERNANDES, S. H. A. A. Uma análise vygostkiana da apropriação do conceito de simetria por aprendizes sem acuidade visual. 2004. 250 f. Dissertação (Mestrado em Educação Matemática) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2004.

FERNANDES, S. H. A. A. Das experiências sensoriais aos conhecimentos matemáticos: uma análise das práticas associadas ao ensino e aprendizagem de alunos cegos e com visão subnormal numa escola inclusiva. 2008. 274 f. Tese (Doutorado em Educação Matemática) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2008.

FERNANDES, S. H. A. A. A inclusão de alunos cegos nas aulas de Matemática: explorando área, perímetro e volume através do tato. Bolema, Rio Claro, v. 23, n. 37, p. 1111-1135, dez. 2010.

FINO, C. N. Vigotsky e a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP): três implicações pedagógicas. Revista Portuguesa de Educação, Madeira, v. 14, n. 2, p. 273-291, mar. 2001. Disponível em: http://www3.uma.pt/carlosfino/publicacoes/11.pdf. Acesso em: 1 ago. 2016.

HOUAISS, A. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Objetiva, 2013.

MACHADO, R. M. A visualização na resolução de problemas de cálculo diferencial e integral no ambiente computacional MPP. 2008. 287 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2008.

MOYSÉS, L. Aplicações de Vygotsky à Educação Matemática. 9. ed. Campinas: Papirus, 2009.

NUERNBERG, A. H. Contribuições de Vigostski para a educação de pessoas com deficiência visual. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 13, n. 2, p. 307-316, abr./jun. 2008.

OCHAITA, E.; ESPINOZA, M. A. Desarrollo y Educación de los niños ciegos y deficientes visuales: áreas prioritarias de intervención. Psykhe, Madrid, v. 4, n. 2, p. 153-165, out. 1995. Disponível em: http://www.psykhe.cl/index.php/psykhe/article/viewFile/80/80. Acesso em: 4 ago. 2016.

OLIVEIRA, M. K. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sócio-histórico. São Paulo: Scipione, 2006.

PEREIRA, M. D. Aprendizagem em Matemática: concepção, proposta e experiência em um curso de Pedagogia. In: ENCONTRO NACIONAL DE DIDÁTICA E PRÁTICAS DE ENSINO (ENDIPE), 16., 2012, Campinas. Anais eletrônicos [...]. Campinas: FE/UNICAMP, 2012. Disponível em: http://www.infoteca.inf.br/endipe/smarty/templates/arquivos_template/upload_arquivos/acervo/docs/1818c.pdf. Acesso em: 26 jul. 2016.

PORTES, R. M. de L. Desafios e perspectivas das TICs no contexto educativo de crianças com deficiência visual. 2013. 186 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2013.

STEFFE, L. P.; THOMPSON, P. W. Teaching experiment methodology: underlying principles and essential elements. In: LESH, R.; KELLY, A. E. Research Design in Mathematics and Science Education. Hillsdale: Erlbaum, 2000. p. 267-307. Disponível em: http://pat-thompson.net/PDFversions/2000TchExp.pdf. Acesso em: 2 ago. 2016.

STEWART, J. Cálculo. 7. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2013. v. 1.

VIGOTSKY, L. S. El niño ciego. In: VIGOTSKY, L. S. Fundamentos de Defectologia. Havana: Editorial Pueblo y Educación, 1989. p. 74-87. (Obras completas, Tomo V). Disponível em: http://deficienciavisual3.com.sapo.pt/txt-El_nino_ciego-Vigotski.htm. Acesso em: 15 jul. 2016.

Downloads

Publicado

2017-09-03

Como Citar

SALLES GONÇALVES, Sandro. A trajetória de inclusão de um estudante cego em um curso de licenciatura: estratégias pedagógicas, a linguagem Matemática e seus desafios. Com a Palavra, o Professor, [S. l.], v. 2, n. 2, p. 54–76, 2017. DOI: 10.23864/cpp-v2-n1-153. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/cpp/article/view/17898. Acesso em: 9 jun. 2026.