Gramaticalização: por uma perspectiva socialmente situada (Grammaticalization: from a socially situated perspective)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22481/el.v23i1.18345

Palavras-chave:

locus da gramaticalização, usos emergentes, grupos sociais

Resumo

O objetivo deste artigo é discutir a ideia de que o ritmo da gramaticalização depende de condições sociolinguísticas. Partimos de considerações sobre o locus de variação/mudança em estudos sociolinguísticos i) distinguindo entre mudanças que se disseminam na língua como um todo e usos emergentes e/ou já fixados que são circunscritos a certas comunidades ou grupos sociais; e ii) buscando articulá-las com estudos funcionalistas de gramaticalização em perspectiva estrita e estendida. Ilustramos o primeiro tipo de gramaticalização com o caso da perífrase ir + Infinitivo expressando tempo futuro; e o segundo tipo com o caso do conector daí e do marcador discursivo entendesse?, itens que se encontram em movimentos de gramaticalização. Defendemos a relevância da inserção de uma perspectiva socialmente situada nos estudos de gramaticalização, de modo a contemplar tanto fenômenos que atingem a língua como um todo, quanto usos emergentes e circulantes em diferentes grupos sociais. 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Maria Alice Tavares, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN/Brasil)

Maria Alice Tavares é doutora em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina. É professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, atuando no Departamento de Letras e no Curso de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem, na área de Linguística teórica e descritiva, na linha de pesquisa Discurso, cognição e interação. Temas de interesse: sociofuncionalismo, variação discursiva, gramaticalização, conectores, marcadores discursivos e ensino. 

Edair Maria Görski, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC/Brasil)

Edair Maria Görski é doutora em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. É professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal e Santa Catarina, atuando na área de Linguística teórica, descritiva e experimental, na linha de pesquisa História, contato, variação e mudança linguística. Temas de interesse: sociofuncionalismo, gramaticalização, variação e mudança linguística, significado social e estilístico.

Carla Regina Martins Paza, Universidade Federal de Santa Catarina/UFSC/Brasil)

Carla Regina Martins Paza é doutora em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina. É professora dessa instituição, atuando na Graduação em Letras, no Programas de Pós-Graduação em Linguística e no Prof-Letras, na área de Linguística teórica, descritiva e experimental, nas linhas de pesquisa História, contato, variação e mudança linguística e Linguagem, política e sociedade. Temas de interesse: sociofuncionalismo, marcadores discursivos, variação estilística, identidade linguística, gramaticalização e ensino.

Referências

AMARAL, K. O. de A emergência e a expansão de usos linguísticos inovadores em comunidade de práticas: o caso de {-STE} na página Tal Qual Dublagens. Working Papers em Linguística, Florianópolis, v. 21, n. 1, p. 168-196, 2020. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/workingpapers/article/view/1984-8420.2020v21n1p168. Acesso em: 13 novembro 2025.

ANDROUTSOPOULOS, J. K. Grammaticalization in young people’s language: the case of German. Belgian Journal of Linguistics, Bruxelas, v. 13, p. 155-176, 1999. Disponível em: https://doi.org/10.1075/bjl.13.09and. Acesso em: 12 outubro 2024.

AZEVEDO, I. C. M. de; FREITAG, R. M. K. Cartografia da pesquisa em linguagem no Nordeste: áreas emergentes, aplicações para o ensino e interfaces. Campinas: Pontes, 2023.

BRAGANÇA, M. L. L. Uma proposta de articulação teórico-metodológica entre os campos variacionista, funcionalista e dialógico para o tratamento de variação/mudança: reflexões a partir da expressão do futuro do presente. Orientadora: Edair Maria Görski. 2017. 696 fl. Tese (Doutorado em Linguística) – Programa de Pós-graduação em Linguística, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2017.

ECKERT, P. Linguistic variation as social practice: the linguistic construction of social meaning in Belten High. Oxford: Blackwell, 2000.

Eckert, 2022 [2012]), 2006, 2000

ECKERT, P. Communities of practice. In: BROWN, K. (Ed.). 2 ed. Encyclopedia of language and linguistics. Amsterdam: Elsevier, 2006. p. 683-685.

ECKERT, P. As três ondas do estudo da variação: a emergência do significado no estudo da variação sociolinguística. Tradução por Samuel Gomes de Oliveira; Lívia Majolo Rockenbach; Athany Gutierres. Organon, Porto Alegre, v. 37, n. 73, p. 268-291, 2022.

ERMAN, B. Grammaticalization in progress: the case of or something. Papers from The XVth Scandidnavian Conference of Linguistics, Oslo, 1995. p. 136-147. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/292046649. Acesso em: 10 março 2025.

FIGUEROA, E. Sociolinguistic metatheory. Oxford: Pergamon, 1994.

FREITAG, R. M. K. (Org). Metodologia de coleta e manipulação de dados em sociolinguística. Blucher Open Access, 2014. Disponível em: https://blucher.com.br/openaccess/metodologia-sociolinguistica/001.pdf. Acesso em 20 setembro 2025.

GIBBON, A. de O. Trajetória de gramaticalização da perífrase ir (presente) + infinitivo no domínio funcional do futuro: análise sincrônica e diacrônica em amostras de fala e escrita gaúchas. Orientadora: Edair Maria Görski. 2014. 365 f. Tese (Doutorado em Linguística) – Programa de Pós-graduação em Linguística, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2017.

GIVÓN, T. Syntax: an introduction. v. 1. Philadelphia: John Benjamins, 2001.

GIVÓN, T. Bio-linguistics. the Santa Barbara Lectures. Philadelphia: John Benjamins, 2002.

GIVÓN, T. On understanding grammar (revised edition). Philadelphia: John Benjamins, 2018.

GÖRSKI, E. M.; PAZA, C. R. M. Interface sociofuncionalista: estado da arte e desafios. In: FREITAG, R. M. K.; BARBOSA, J. B. (Org.). Tendências da Sociolinguística brasileira (a sair).

GÖRSKI, E. M.; TAVARES, M. A. O objeto de estudo na interface variação-gramaticalização. In: BAGNO, M.; CASSEB-GALVÃO, V. C.; REZENDE, T. F. (Orgs.). Dinâmicas funcionais da mudança linguística. São Paulo: Parábola. 2017. p.35-63

GÖRSKI, E. M.; VALLE, C. R. M. A dinâmica do significado social na gramaticalização: desafios para uma abordagem sociofuncionalista. Estudos da Língua(gem). Vitória da Conquista, v. 19, n. 4, p. 183-207 dez. 2021. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/index.php/estudosdalinguagem/article/view/9278b. Acesso em: 18 julho 2023.

GUY, G. As comunidades de fala: fronteiras internas e externas. II Congresso internacional da Abralin. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2001.

HEINE, B.; KUTEVA, T. The genesis of grammar: a reconstruction. New York: Oxford University Press, 2007.

HEINE, B.; NARROG, H. Grammaticalization and linguistic analysis. In: HEINE, B.; NARROG, H. (Eds.). The Oxford handbook of linguistic analysis. 2. ed. New York: Oxford University Press, 2015. p. 407-428.

HEINE, B.; CLAUDI, U.; HÜNNEMEYER, F. Grammaticalization: a conceptual framework. Chicago: University of Chicago Press, 1991.

HOPPER, P. On some principles of grammaticalization. In: TRAUGOTT, E. C.; HEINE, B. (Eds.). Approaches to grammaticalization: focus on theoretical and methodological issues. v. 1. Philadelphia: John Benjamins, 1991. p. 7-35.

HOPPER, P.; TRAUGOTT, E. C. Grammaticalization. 2. ed. Cambridge: Cambridge University Press, 2003.

KERSWILL, P.; CHESHIRE, J.; FOX, S.; TORGERSEN, E. English as a contact language: the role of children and adolescents. In: SCHREIER, D.; HUNDT, M. (Eds.). English as a contact language. Cambridge: Cambridge University Press, 2013. p. 258-282.

KOTSINAS, U-B. Young people’s language. Norm, variation and language change. Stockholm Studies in Modern Philology, Estocolmo, v. 11, p. 109-132, 1997.

KURYLOWICZ, J. The evolution of grammatical categories. Diogenes, Newbury Park, v. 13, n. 51, p. 55-71, 1965. Disponível em:

https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/039219216501305105. Acesso em: 29 fevereiro 2024.

LABOV, W. Padrões sociolinguísticos. Tradução: Marcos Bagno; Maria Marta Pereira Scherre; Caroline Rodrigues Cardoso. São Paulo: Parábola, 2008. Edição original 1972.

LABOV, W. Building on empirical foundations. In: LEHMANN, W. P.; MALKIEL, Y. (Eds.) Perspectives on historical linguistics. Philadelphia: John Benjamins, 1982. p. 17-92.

MILROY, L. Language and social networks. Oxford: Blackwell, 1980.

NEVALAINEN, T.; PALANDER-COLLIN, M. Grammaticalization and sociolinguistics. In: HEINE, B.; NARROG, H. (Eds.) The Oxford handbook of grammaticalization. Oxford: Oxford University Press, 2011. p. 118-129.

PATRICK, P. L. The speech community. In: CHAMBERS, J. K.; TRUDGILL, P.; SCHILLING-ESTES, N. (Eds.). The handbook of language variation and change. Oxford: Blackwell, 2004. p. 573-597.

PETRÉ, P.; VAN de VELDE, F. The real-time dynamics of the individual and the community in grammaticalization. Language, Washington DC, v. 94, n. 4, p. 867-901, 2018. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/26630403. Acesso em 26 abril 2023.

Nevalainen e Palander-Collin (2011

ROMAINE, S. What is a speech community? In: ROMAINE, S. Sociolinguistic variation in speech communities. London: Edward Arnold, 1982.

TAVARES, M. A. A gramaticalização de E, AÍ, DAÍ e ENTÃO: estratificação/ variação e mudança no domínio funcional da sequenciação retroativo-propulsora de informações – um estudo sociofuncionalista. Orientadora: Edair Maria Görski. 2003. 307 fl. Tese (Doutorado em Linguística) – Programa de Pós-Graduação em Linguística, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2003.

TAVARES, M. A. Aumento intenso no uso do conector daí em Florianópolis: mudança por difusão? Entrepalavras, Fortaleza, v. 9, n. 3, p. 76-95, set-dez/2019. Disponível em: http://www.entrepalavras.ufc.br/revista/index.php/Revista/article/view/1674. Acesso em: 14 outubro 2024.

TRAUGOTT, E. C. Zeroing in on multifunctionality and style. In: ECKERT, P.; RICKFORD, J. R. (Ed.) Style and sociolinguistic variation. Cambridge: Cambridge University Press, 2001. p. 127-138.

TRAUGOTT, E. C. “All that he endeavored to prove was…”: on the emergence of grammatical constructions in dialogual and dialogic contexts. In: COOPER, R.; KEMPSON, R. (Eds.). Language in flux: dialogue coordination, language variation, change and evolution. London: Kings College Publications, 2008. p. 143-177.

TRAUGOTT, E. C. Grammaticalization. In: LURAGHI, S.; BUBENIK, V. (Eds.). Continuum companion to historical linguistics. London/New York: Continuum International Publishing Group, 2010. p. 269-283.

VALLE, C. R. M. Multifuncionalidade, mudança e variação de marcadores discursivos derivados de verbos cognitivos: forças semântico-pragmáticas, estilísticas e identitárias em competição. Orientadora: Edair Maria Görski. 2014. 415 fl. Tese (Doutorado em Linguística) – Programa de Pós-graduação em Linguística, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2014.

VALLE, C. R. M. Sabe?~não tem?~entende?: itens de origem verbal em variação como requisitos de apoio discursivo. Orientadora: Edair Maria Görski. 2001. 172 fl. Dissertação (Mestrado em Linguística) – Programa de Pós-graduação em Linguística, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2001.

WALTEREIT, R. The rise of discourse markers in Italian: a specific type of language change. In: FISCHER, K. (Ed.) Approaches to discourse markers. Oxford: Elsevier, 2006. p. 61-76.

WEINREICH, U.; LABOV, W.; HERZOG, M. I. Fundamentos empíricos para uma teoria da mudança linguística. Tradução por Marcos Bagno. São Paulo: Parábola, 2006. Edição original 1968.

Downloads

Publicado

2025-12-31

Como Citar

TAVARES, Maria Alice; GÖRSKI, Edair Maria; PAZA, Carla Regina Martins. Gramaticalização: por uma perspectiva socialmente situada (Grammaticalization: from a socially situated perspective). Estudos da Língua(gem), [S. l.], v. 23, n. 1, p. e18345 , 2025. DOI: 10.22481/el.v23i1.18345. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/estudosdalinguagem/article/view/18345. Acesso em: 20 maio. 2026.