“QUE SAUDADE DA LILI”: REFLEXÕES SOCIOLINGUÍSTICAS SOBRE MULHERES ENCARCERADAS
DOI:
https://doi.org/10.22481/rccd.i5.11864Palavras-chave:
Desigualdade de gênero e racial, Mulheres encarceradas, Sistema carcerário, SociolinguísticaResumo
O sistema carcerário brasileiro não atende às necessidades da comunidade feminina encarcerada, promovendo a violação de direitos fundamentais. Esse problema pode ter como elemento impulsionador as desigualdades de gênero e racial, que se apresentam de forma estrutural no país. Diante disso, propomos apresentar reflexões a respeito do cotidiano de mulheres presas, por meio de análises sociolinguísticas, com uma abordagem qualitativa. Dessa forma, investigamos, a partir da linguagem, o reflexo e a presença dessas desigualdades no cotidiano das mulheres encarceradas, observando, especificamente, a utilização e produção de gírias de grupo como uma forma de reagir diante da segregação produzida pelo Estado e pela sociedade. Posto isso, no contexto estudado, os resultados demonstraram que esse processo de segregação é intensificado em razão da desigualdade de gênero e nesta população é refletida as marcas da desigualdade racial no Brasil, realidade a ser combatida, bem como, constatamos que a utilização dos vocábulos gírios como uma forma de organização político, cultural e identitário do grupo.
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