Reflexões sobre Antígona, de Sófocles, e o cenário atual: uma interface entre o Direito e a Literatura
DOI:
https://doi.org/10.22481/rccd.i4.8994Palavras-chave:
Antígona, Direito, História Cíclica, Literatura, PatriarcadoResumo
O artigo propõe a interface entre Direito e Literatura por meio da reflexão de questões jurídicas a partir das narrativas literárias, com vistas a contemplar a interdisciplinaridade. O diálogo entre Direito e Literatura, aqui proporcionado, tem como campo de análise a obra Antígona, de Sófocles, demonstrando, através do método comparativo e da pesquisa bibliográfica, as contribuições proporcionadas pela Literatura ao mundo jurídico, ao retratar contextos históricos, culturais e sociais de forma concisa e poética, e ao expor a existência de um ciclo vicioso no desrespeito aos direitos das mulheres. As lutas pelas suas convicções e a posição da mulher na sociedade, representadas na personagem Antígona, permitem comparar o contexto histórico da obra fictícia com a conjuntura atual, inclusive do cenário da Pandemia do Coronavírus. Nesse sentido, o enlace entre o Direito e a Literatura permitiu abordar questões jurídicas, como julgamentos, direitos em tempos de exceção, abuso de autoridade e conflitos entre direito natural e positivo, com o auxílio da teimosia da personagem feminina, contribuindo na ampliação da visão para além do tecnicismo jurídico.
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