De exceção à regra: uma anàlise jurisprudencial sobre o preenchimento das lacunas legais da prisão preventiva no estado do Rio Grande do Sul
DOI:
https://doi.org/10.22481/rccd.i4.8989Palavras-chave:
Cidadania, Crise carcerária, Prisão preventiva, Processo PenalResumo
A presente pesquisa se propõe à análise do instituto da prisão preventiva, no intuito de verificar o sentido dado às amplas hipóteses legais a partir da análise de casos concretos. Para alcançar o objetivo visado, foi utilizado o método dedutivo de pesquisa, pela reunião de referencial teórico atinente ao tema, com a posterior análise de decisões judiciais em que aplicado o instituto. Foram analisadas decisões proferidas pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, terminativas de recursos em sentido estrito interpostos pelo Ministério Público, que impuseram, como medida cautelar, a prisão preventiva. A partir dos dados, foi realizada uma análise profunda das decisões que decretaram a prisão, delineando-se quais foram os argumentos concretos para a prisão, em que se destacam a reincidência e o risco de reiteração delitiva. Desse estudo, concluiu-se que, ainda que a prisão preventiva seja caracterizada como medida excepcional pelo direito penal, na prática, o que se enxerga é uma verdadeira desconsideração aos direitos e princípios constitucionais legalmente previstos, a exemplo da presunção da inocência, justificados pelo caráter punitivista da técnica penal.
Downloads
Referências
Andrade VRP. Sistema Penal máximo x cidadania mínima: códigos da violência na era da globalização. 2. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado; 2016.
Baratta A. Criminologia Crítica e Crítica do Direito Penal: introdução à sociologia do Direito Penal. Tradução de Juarez Cirino dos Santos. 6. ed. Rio de Janeiro: Revan/Instituto Carioca de Criminologia; 2011.
Beccaria C. Dos delitos e das penas. Tradução de Neury Carvalho Lima. São Paulo: Hunter Books; 2012.
Brasil. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Departamento Penitenciário Nacional. INFOPEN: Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias. Brasília: DEPEN; 2014. Disponível em: http://www.justica.gov.br.
Brasil. Conselho Nacional de Justiça. Novo diagnóstico de pessoas presas no Brasil. Brasília: CNJ; 2014.
Brasil. Presidência da República. Secretaria Geral. Mapa do encarceramento: os jovens do Brasil. Brasília: Presidência da República; 2015. 112 p. Disponível em: http://juventude.gov.br.
Comisión Interamericana de Derechos Humanos. Informe sobre el uso de la prisión preventiva en las Américas. Washington, DC: CIDH; 2013.
Ferrajoli L. Direito e razão: teoria do garantismo penal. São Paulo: Revista dos Tribunais; 2002.
Foucault M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. 42. ed. Petrópolis: Vozes; 2014.
Lopes Jr A. Direito Processual Penal. 14. ed. São Paulo: Saraiva; 2017.
Lopes Jr A. Prisões cautelares. 5. ed. São Paulo: Saraiva; 2017.
Streck LL. Hermenêutica jurídica e(m) crise: uma exploração hermenêutica da construção do Direito. Porto Alegre: Livraria do Advogado; 1999.
Zaffaroni ER. Em busca das penas perdidas: a perda da legitimidade do sistema penal. Tradução de Vania Romano Pedrosa e Amir Lopez da Conceição. 5. ed. Rio de Janeiro: Revan; 1991.