Carta aberta a escritoras afrodescendentes do futuro

Auteurs-es

Mots-clés :

Tradução, Mayra Santos-Febres, Escritoras afrodescendentes

Résumé

Ouço a Gloria Anzaldúa, em sua “Carta aberta a escritoras do terceiro mudo”. Penso: porque eu nunca tive medo de escrever? Nunca. Eu, uma preta retinta da 4ª de Country Club, criada entre os bairros os periféricos que minhas avós fundaram um clã e uma comunidade. De um lado Sabana Abajo, vizinhança que cresceu nas margens da Central Victória, onde meu avô Cristino dos Santos Bulerin foi engenheiro de caldeira e proprietário de uma parte.(Esse avô morreu antes de eu nascer). Do outro lado ficavam as Parcelas Falú- onde minha avó Clemencia Falu pariu e criou 9 filhas, antes que suas filhas mais velhas comprassem uma casa na “moderna” e vizinha urbanização da Villa Prades. (A Esteban Febres Ruiz, o outro avô, que eu também não conheci). Morrem cedo nossos homens em estas terras). Uma lagoa se estendia entre as duas comunidades, rodeada de manguezais e pastagens, braços de rio que a Modernidade tragou e foi convertendo em cimento. Foram meus avós que, junto com sua prole, levantaram o cimento do que sou, do que ainda pulsa entre as águas desse mangue, aparentemente seco, filtrando consciência.

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Références

Santos-Febres, Mayra. F´é disfarçada. Rio de Janeiro. Pallas, 2026.

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Publié-e

2026-09-28

Comment citer

LAZARO, RAFAEL DOS SANTOS; FELISBERTO, FERNANDA; SANTOS-FEBRES, MAYRA. Carta aberta a escritoras afrodescendentes do futuro. Revista de Literatura Negra Gongolo, [S. l.], v. 1, n. 1, p. 186–189, 2026. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/relin/article/view/20834. Acesso em: 10 oct. 2026.