Percepções dos usuários do centro de atenção psicossocial álcool e drogas sobre as estratégias de redução de danos
DOI:
https://doi.org/10.22481/rsc.v22i2.17090Palavras-chave:
Centro de Atenção Psicossocial, Redução de Danos, Substancias Psicoativas, Saúde Mental, Estratégias de CuidadoResumo
A dependência química é uma questão de saúde pública relevante. Estratégias de Redução de Danos (RD) vêm sendo adotadas como alternativas válidas para minimizar os riscos à saúde e promover mais qualidade de vida às pessoas que enfrentam desafios com a abstinência. Com uma abordagem interdisciplinar, este estudo articula conhecimentos da Psicologia e da Biomedicina para compreender as vivências dos participantes. A investigação justifica-se pela urgência de superar abordagens punitivas e propor intervenções mais humanizadas e ajustadas às realidades vividas pelas pessoas que utilizam substâncias psicoativas. Esse artigo tem como objetivo analisar as percepções dos usuários do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Droga (CAPS AD) sobre a potência das estratégias de RD, com foco numa dimensão holística. A pesquisa busca contribuir para um cuidado integral que considere os aspectos biopsicossociais da dependência química. Trata-se de um estudo qualitativo, desenvolvido por meio de entrevistas semiestruturadas com assistidos do CAPS AD. A análise dos dados foi realizada por meio da técnica de análise de conteúdo e o projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa. Os resultados apontaram que, embora a maioria dos participantes não conhecesse o termo “redução de danos”, muitos já adotavam práticas alinhadas a essa abordagem, percebendo melhorias em diversos aspectos da vida cotidiana. A discussão destaca a importância de estratégias integradas e centradas na pessoa, que articulem os aspectos biopsicossociais no cuidado à dependência química. A presença espontânea de práticas de RD entre os participantes reforça sua efetividade como estratégia de cuidado. O reconhecimento do CAPS AD como espaço acolhedor e a crítica às comunidades terapêuticas autoritárias revelam a importância de fortalecer políticas públicas alinhadas aos princípios da Reforma Psiquiátrica. Defende-se a promoção de intervenções que respeitem a singularidade dos sujeitos, integrem saberes interdisciplinares e estimulem o protagonismo das pessoas na construção de projetos de vida mais autônomos e dignos.
Downloads
Referências
¹Militão LF, Almeida CPC, Queiroz MVO, Oliveira CJ, Caetano JA. Usuários de substâncias psicoativas: desafios à assistência de enfermagem na Estratégia Saúde da Família. Esc Anna Nery. 2022;26:e20210429.
²Melo APM, Miranda J RNC. Avaliação do consumo de substâncias psicotrópicas por estudantes da área da saúde: retrato de uma década. Res Soc Dev. 2020;9(12):e6291210983.
³Bertolote JM. Glossário de álcool e drogas: tradução e notas. [S.l.]: Secretaria Nacional Antidrogas; Gabinete de Segurança Institucional; 2006.
⁴United Nations Office on Drugs and Crime. World Drug Report 2024 [Internet]. 2024 [cited 2025 Jun 18]. Available from: https://www.unodc.org/unodc/en/data-and-analysis/world-drug-report-2024.html
⁵ Organização Mundial da Saúde. Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10: descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Caetano D, tradutor. 1ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas; 1993. p. 69–82.
⁶ Escohotado A. Historia elemental de las drogas. Barcelona: Anagrama; 2009.
⁷ Alves VS. Modelos de atenção à saúde de usuários de álcool e outras drogas: discursos políticos, saberes e práticas. Cad Saúde Pública. 2009;25(11):2309–19. https://doi.org/10.1590/S0102-311X2009001100002
⁷Machado AR, Miranda PSC. Fragmentos da história da atenção à saúde para usuários de álcool e outras drogas no Brasil: da Justiça à Saúde Pública. Hist Ciênc Saúde-Manguinhos. 2007;14(3):801–21.
⁸ Mesquita F. Redução de danos. Bol Inst Saúde (Impr.). 2020;21(2):10–7. https://doi.org/10.52753/bis.2020.v21.34613
⁹ Marlatt GA. Redução de danos: estratégias práticas para lidar com comportamentos de alto risco. Porto Alegre: Artmed; 1999.
⁹ Perrone PAK. A comunidade terapêutica para recuperação da dependência do álcool e outras drogas no Brasil: mão ou contramão da reforma psiquiátrica? Ciênc Saúde Colet. 2014;19(2):569–80. https://doi.org/10.1590/1413-81232014192.00382013
¹ ⁰ Carvalho B, Dimenstein M. Análise do discurso sobre redução de danos num CAPS ad III e em uma comunidade terapêutica. Temas Psicol. 2017;25(2):647–60. https://doi.org/10.9788/TP2017.2-13
¹ ¹ Silveira GL, Rodrigues LB. O consumo de substâncias psicoativas e o autocuidado entre pessoas em situação de rua na cidade de Juazeiro-BA. Rev Psicol Divers Saúde. 2013;1(1):95–122.
¹ ² Minayo MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 14ª ed. São Paulo: Hucitec; 2014.
¹ ³ • Bardin L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2016.
• ¹ Cezar MA, Oliveira MA. Redução de danos: uma experiência na atenção básica. Mental (Barbacena). 2017;11(21):486–500.
¹ ⁵Conselho Federal de Psicologia. Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) em políticas públicas de álcool e outras drogas. 2ª ed. Brasília: CFP; 2019.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Saúde.com

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
