Autonomia, biopoder e governamentalidade: uma genealogia crítica da vida, da morte e do sofrimento na sociedade disciplinar e neoliberal
DOI:
https://doi.org/10.22481/sertanias.v6i1.18399Keywords:
Autonomy, Biopolitics, Governmentality, Suffering, Disciplinary power, SubjectivationAbstract
Este artigo analisa criticamente a reconfiguração contemporânea da autonomia na confluência entre poder disciplinar, biopolítica e racionalidade neoliberal, demonstrando como o ideal iluminista de autodeterminação é deslocado por dispositivos que modulam condutas, afetos e possibilidades de ação. Partindo de uma abordagem genealógica foucaultiana, examina-se a mutação das formas modernas de subjetivação e o esvaziamento da autonomia como princípio normativo, reinterpretada hoje como tarefa performativa de autogoverno contínuo. O estudo discute, ainda, o papel do sofrimento como categoria política central, não apenas como experiência individual, mas como operador biopolítico que reorganiza a gestão dos corpos e das populações. Argumenta-se que o sofrimento - biológico, social, subjetivo e moral - se torna tecnologia de governo, legitimando intervenções, regulando condutas e restringindo o campo de escolhas possíveis, especialmente em debates sobre vida, morte e direitos de disposição sobre o próprio corpo. Ao final, sustenta-se que a autonomia, longe de ser suprimida, é reconfigurada como liberdade calibrada, funcional às exigências de normalização e produtividade; contudo, permanece como espaço agonístico de resistência e reinvenção no interior de relações de poder.
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