Autonomia, biopoder e governamentalidade: uma genealogia crítica da vida, da morte e do sofrimento na sociedade disciplinar e neoliberal

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.22481/sertanias.v6i1.18399

Palabras clave:

Autonomia., Biopolítica, Governamentalidade, Sofrimento., Poder disciplinar, Subjetivação

Resumen

Este artigo analisa criticamente a reconfiguração contemporânea da autonomia na confluência entre poder disciplinar, biopolítica e racionalidade neoliberal, demonstrando como o ideal iluminista de autodeterminação é deslocado por dispositivos que modulam condutas, afetos e possibilidades de ação. Partindo de uma abordagem genealógica foucaultiana, examina-se a mutação das formas modernas de subjetivação e o esvaziamento da autonomia como princípio normativo, reinterpretada hoje como tarefa performativa de autogoverno contínuo. O estudo discute, ainda, o papel do sofrimento como categoria política central, não apenas como experiência individual, mas como operador biopolítico que reorganiza a gestão dos corpos e das populações. Argumenta-se que o sofrimento - biológico, social, subjetivo e moral - se torna tecnologia de governo, legitimando intervenções, regulando condutas e restringindo o campo de escolhas possíveis, especialmente em debates sobre vida, morte e direitos de disposição sobre o próprio corpo. Ao final, sustenta-se que a autonomia, longe de ser suprimida, é reconfigurada como liberdade calibrada, funcional às exigências de normalização e produtividade; contudo, permanece como espaço agonístico de resistência e reinvenção no interior de relações de poder.

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Biografía del autor/a

Marco Aurélio da Silva, UFSM

Doutorando em Extensão Rural pela Universidade Federal de Santa Maria - UFSM. Mestre em Ciências Sociais - UFSM. Mestre em Educação pela Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC. Especialização em Educação Ambiental e Especialização em Gestão Educacional ambas pela UFSM, e Especialização em Mídias na Educação pela Universidade Federal de Pelotas - UFPel; Licenciado em Filosofia pelo Centro Universitário Franciscano - UNIFRA e Pedagogia - UFSM. Tem pesquisado temáticas interdisciplinares com foco em desenvolvimento sustentável, cooperativismo, associativismo, gestão democrática e políticas públicas no que tange o dinamismo da responsabilidade social no âmbito da territorialização.  

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Publicado

2025-12-29

Cómo citar

DA SILVA, Marco Aurélio. Autonomia, biopoder e governamentalidade: uma genealogia crítica da vida, da morte e do sofrimento na sociedade disciplinar e neoliberal. Sertanias: Revista de Ciências Humanas e Sociais, [S. l.], v. 6, n. 1, p. 1–15, 2025. DOI: 10.22481/sertanias.v6i1.18399. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/sertanias/article/view/18399. Acesso em: 21 may. 2026.