Reflexões sobre a Decolonização do Conhecimento Matemático por meio da Lei 10.639/2003 e da Etnomodelagem
DOI:
https://doi.org/10.22481/cpp.v9i24.17617Palabras clave:
decolonização, etnomatemática, etnomodelagem, saberes e fazeres matemáticos, Lei 10.639/03Resumen
Um dos principais objetivos deste artigo teórico é a desconstrução de estereótipos relacionados com a Matemática e, também, a valorização e o respeito pelos saberes e fazeres matemáticos desenvolvidos localmente, tendo a consciência de que a discussão aqui proposta não se caracteriza como uma solução imediata para o secularismo que colonizou processos de ensino e aprendizagem em Matemática, que precisam insurgir-se decolonizados por meio da Educação para as Relações Étnico-Raciais e, consequentemente, pela implementação da Lei nº 10.639/2003 nas salas de aula e no ambiente escolar, por meio da Etnomodelagem. A discussão aqui apresentada destaca a importância do cumprimento da obrigatoriedade dessa Lei, pois embora a sua promulgação represente um avanço na promoção da igualdade e da equidade racial e cultural no Brasil, esta exigência ainda não garante a sua implementação nas salas de aula ou no sistema escolar. Portanto, destaca-se a importância da valorização e do respeito às temáticas afrodescendentes brasileiras e africanas nos currículos escolares brasileiros por meio de ações pedagógicas fundamentadas culturalmente que são realizadas nas salas de aula das instituições de ensino responsáveis pela difusão dos conhecimentos, saberes, fazeres e práticas matemáticas locais e globais enraizadas no dinamismo cultural e permeadas pelos processos de decolonização.
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