Uma reflexão histórica acerca de rastros discursivos deixados pelo enunciado "Análise"
Palabras clave:
Disciplina de Análise, História da Matemática, Arqueologia Foucaultina, Práticas DiscursivasResumen
Este artigo foi composto com o objetivo de tecer reflexões acerca de uma
história da problematização daquilo que conhecemos por rigor, que se
relaciona com disciplinas de Análise em cursos de licenciatura em
matemática, tendo como principal motivação as divergências encontradas
entre o que se espera daquela disciplina e o que, de fato, ocorre em salas de
aula dos referidos cursos. Assim, utilizando um recorte de nossa dissertação
de mestrado, seguimos rastros discursivos em que o enunciado “Análise”
aparece em relação com outros enunciados e/ou discursos. Fizemos isso
operando em aliança com o pensamento de Michel Foucault, mais
especificamente aquele atrelado ao que ele denominou por Arqueologia, na
tentativa de oferecer alguma resposta ao seguinte questionamento: o que
pode uma disciplina de Análise? Nossos resultados proporcionam
possibilidades de escape aos discursos comumente disseminados no interior
da disciplina em comento, de maneira que encontramos pelo menos seis
séries discursivas, nas quais o enunciado “Análise” estabelece alguma
relação: relações com práticas de decomposição; relações com práticas de
Geometria: análise e síntese; relações com práticas metodológicas de Cálculo
Diferencial e Integral; relações com práticas limitantes infinitas e relações
com práticas estruturantes de um corpo ordenado completo. Ao final, há uma
breve reflexão acerca dos resultados encontrados, de modo que deixamos
aberta ao o leitor a possibilidade de seguir suas próprias pistas e compor seu
próprio caminho discursivo no emaranhado em que se encontra a disciplina
de Análise.
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