Regulamentação da inteligência artificial no Brasil, na UE e no UK e seus impactos na educação

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22481/praxisedu.v21i52.17105

Palavras-chave:

inteligência artificial, regulamentação, educação

Resumo

A crescente integração da inteligência artificial (IA) na educação traz oportunidades e desafios. Diante disso, uma regulamentação adequada e eficaz é necessária para abordar questões éticas, de privacidade e de viés algorítmico, garantindo que a IA seja usada de forma justa, ética e igualitária na educação. Este artigo examina criticamente as atuais estruturas regulatórias no Brasil, na União Europeia (UE) e no Reino Unido, lançando luz sobre seus impactos nos sistemas educacionais. A legislação de IA na UE identifica aplicações de IA de alto risco na educação, como aquelas usadas para admissões, avaliações e monitoramento de comportamento, levantando preocupações sobre potenciais vieses e desigualdades. A abordagem flexível e orientada para a inovação do Reino Unido destaca a importância de supervisão específica por setor, porém corre o risco de possibilitar inconsistências na sua implementação. No Brasil, a regulamentação da IA ainda está em desenvolvimento, com esforços legislativos em andamento focando em equilibrar a inovação com considerações éticas e proteção de direitos. Argumentamos que, para que a IA beneficie a educação sem exacerbar as desigualdades existentes, as estruturas regulatórias devem abordar o viés algorítmico, promover o letramento em IA, garantir a transparência e proteger a privacidade. A análise comparativa revela lacunas nessas três regulamentações e enfatiza a necessidade de estratégias adaptáveis e específicas de contexto que priorizem a integração ética da IA na educação. Também fornecemos algumas recomendações a serem abordadas nessas regulamentações para proteger nossas práticas educacionais e oferecer orientação mais clara aos educadores.

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Biografia do Autor

Allyson Carvalho de Araujo, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Doutor em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Professor Associado da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Líder do Laboratório de Estudos em Educação Física, Esporte e Mídia.

Contribuição de autoria: concepção, redação e revisão crítica do conteúdo.

Marjory Da Costa Abreu, Sheffield Hallam University

Doutora em Engenharia Eletrônica pela University of Kent, Inglaterra. Professora Associada em Inteligência Artificial Ética (Transforming Lives Fellow) na Sheffield Hallam University.

Everton Cavalcante, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Doutor em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Professor Adjunto da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

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Publicado

2025-07-09

Como Citar

ARAUJO, Allyson Carvalho de; ABREU, Marjory Da Costa; CAVALCANTE, Everton. Regulamentação da inteligência artificial no Brasil, na UE e no UK e seus impactos na educação. Práxis Educacional, Vitória da Conquista, v. 21, n. 52, p. e17105, 2025. DOI: 10.22481/praxisedu.v21i52.17105. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/praxis/article/view/17105. Acesso em: 15 jan. 2026.

Edição

Seção

Seção Temática