Hipertermia magnética como terapia oncológica de precisão: uma revisão crítica
DOI:
https://doi.org/10.22481/rbba.v16i1.18632Palavras-chave:
nanomedicina, nanopartículas superparamagnéticas, hipertermia magnéticaResumo
O câncer é um desafio à saúde pública, exigindo respostas terapêuticas eficazes. Embora as abordagens tradicionais — cirurgia, radioterapia e quimioterapia — permaneçam como pilares da oncologia, frequentemente são acompanhadas por elevada toxicidade e resistência tumoral. Diante dessas limitações, intensifica-se o interesse por terapias complementares que apresentem maior seletividade e caráter minimamente invasivo. Nesse cenário, a hipertermia magnética (HM) destaca-se como uma técnica baseada no aumento da temperatura tumoral, causando lise celular. A técnica utiliza nanopartículas superparamagnéticas capazes de aquecer localmente quando submetidas a um campo magnético alternado. Assim, este trabalho busca revisar criticamente a literatura, sintetizando achados de estudos in vitro, in vivo e ensaios clínicos, bem como discutir as limitações que ainda impedem a consolidação da HM. Para isso, foi realizada ampla revisão bibliográfica de pesquisas publicadas nas últimas duas décadas. Os resultados revelam que a HM possui elevado potencial terapêutico, promovendo regressão significativa e, em alguns modelos animais, até eliminação completa de tumores. Em âmbito clínico, seus efeitos em glioblastomas demonstram benefício promissor. Contudo, sua incorporação plena à prática clínica ainda depende da superação de obstáculos.
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