Hipertermia magnética como terapia oncológica de precisão: uma revisão crítica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22481/rbba.v16i1.18632

Palavras-chave:

nanomedicina, nanopartículas superparamagnéticas, hipertermia magnética

Resumo

O câncer é um desafio à saúde pública, exigindo respostas terapêuticas eficazes. Embora as abordagens tradicionais — cirurgia, radioterapia e quimioterapia — permaneçam como pilares da oncologia, frequentemente são acompanhadas por elevada toxicidade e resistência tumoral. Diante dessas limitações, intensifica-se o interesse por terapias complementares que apresentem maior seletividade e caráter minimamente invasivo. Nesse cenário, a hipertermia magnética (HM) destaca-se como uma técnica baseada no aumento da temperatura tumoral, causando lise celular. A técnica utiliza nanopartículas superparamagnéticas capazes de aquecer localmente quando submetidas a um campo magnético alternado. Assim, este trabalho busca revisar criticamente a literatura, sintetizando achados de estudos in vitro, in vivo e ensaios clínicos, bem como discutir as limitações que ainda impedem a consolidação da HM. Para isso, foi realizada ampla revisão bibliográfica de pesquisas publicadas nas últimas duas décadas. Os resultados revelam que a HM possui elevado potencial terapêutico, promovendo regressão significativa e, em alguns modelos animais, até eliminação completa de tumores. Em âmbito clínico, seus efeitos em glioblastomas demonstram benefício promissor. Contudo, sua incorporação plena à prática clínica ainda depende da superação de obstáculos.

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Biografia do Autor

Matheus Fernandes Muniz de Almeida, Southwest Bahia State University

Estudante de graduação em física da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

Simara Santos Campos, Southwest Bahia State University

Doutorado em Física pela Universidade Federal de Sergipe. Professora plena da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, onde também exerce a função de coordenadora do curso de Licenciatura em Física na modalidade de educação a distância.

Luizdarcy de Matos Castro, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Bahia, Brasil

O autor possui graduação em Física pela Universidade Federal de Viçosa (1997), mestrado em Física pela Universidade Federal de Minas Gerais (1999) e doutorado em Física pela mesma instituição (2003). Sua formação acadêmica sólida em Física fundamenta uma trajetória voltada tanto à pesquisa quanto ao ensino.

Atualmente, é professor titular B da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, onde desenvolve atividades de ensino, pesquisa e orientação acadêmica. Sua atuação profissional é marcada pela integração entre aspectos teóricos e aplicados da Física, com destaque para a área de materiais magnéticos e suas propriedades.

Possui experiência consolidada em temas relacionados ao magnetismo, incluindo o estudo de materiais magnéticos e a aplicação de princípios variacionais em problemas físicos. Paralelamente, dedica-se ao ensino de ciências, com ênfase no desenvolvimento e utilização de materiais didáticos alternativos e de baixo custo, buscando ampliar o acesso e a compreensão dos conceitos científicos.

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Publicado

2026-05-14

Como Citar

ALMEIDA, Matheus Fernandes Muniz de; CAMPOS, Simara Santos; DE MATOS CASTRO, Luizdarcy. Hipertermia magnética como terapia oncológica de precisão: uma revisão crítica. Revista Binacional Brasil-Argentina: Diálogo entre as ciências, [S. l.], v. 16, n. 1, 2026. DOI: 10.22481/rbba.v16i1.18632. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/rbba/article/view/18632. Acesso em: 21 maio. 2026.