Entre o ensino e os fármacos: medicalização do trabalho docente na contemporaneidade
DOI:
https://doi.org/10.22481/reed.v6i13.18133Palavras-chave:
Adoecimento docente, Medicalização, Sofrimento psíquico, Trabalho docente, Políticas educacionaisResumo
Este artigo discute o crescente adoecimento docente e o consequente uso de psicofármacos como estratégia de enfrentamento ao esgotamento profissional. Parte-se da premissa de que a medicalização do sofrimento psíquico (originado por condições laborais precárias) converte um problema estrutural e coletivo em uma questão de saúde individual, contribuindo para a sua despolitização. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório realizada com 14 docentes, sendo 10 da Educação Básica e 04 da Educação Superior, tendo como instrumento uma entrevista. Os dados construídos indicam que a sobrecarga de trabalho, expressa no acúmulo de turmas, atividades administrativas e pressão por produtividade acadêmica, configura um ambiente de estresse crônico que desencadeia sintomas como ansiedade e insônia. Diante desse cenário, os docentes recorrem a antidepressivos e ansiolíticos, compreendendo a medicalização como um recurso necessário para a continuidade do exercício profissional. Conclui-se que, embora o uso de medicamentos possa ser uma resposta imediata ao sofrimento, ele também opera como um mecanismo de silenciamento, contribuindo para a manutenção de um sistema educacional adoecido. O estudo enfatiza a urgência de políticas públicas voltadas à melhoria das condições de trabalho docente, à redução da carga horária e à valorização profissional, como caminhos fundamentais para a desmedicalização e a humanização do exercício docente.
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