Interculturalidade e universidade: caminhos para o fortalecimento da decolonização na formação docente

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22481/reed.v6i13.18999

Palavras-chave:

Perspectiva intercultural, Licenciaturas, Universidade Federal da Bahia

Resumo

A interculturalidade é um princípio político que luta por amplas mudanças estruturais, fundado por diferentes povos indígenas equatorianos, em oposição à ordem social construída a partir da colonização e da formação do capitalismo global. Buscou-se mapear a presença da perspectiva intercultural em cursos de licenciatura, a partir de relatos de experiências de estudantes. A pesquisa qualitativa foi a metodologia utilizada para alcançar este objetivo, usando entrevistas semiestruturadas, com eixos temáticos, como dispositivo de coleta de dados. A análise dos dados foi realizada segundo a Análise de Discurso, sendo estabelecidas três categorias: menção do termo “interculturalidade”; feridas aos princípios interculturais; e formação docente como meio de acesso aos eixos temáticos. Concluiu-se que não há uma associação, por parte dos entrevistados, entre a interculturalidade e os eixos temáticos apresentados. Notou-se, porém, que os princípios da perspectiva intercultural são ativamente contrariados, sendo relatadas, por todos os respondentes, maneiras como isso ocorre. O panorama, porém, não é completamente negativo, pois foi mencionada, por alguns entrevistados, a importância da formação docente como espaço de contato com os eixos temáticos apresentados. Finaliza-se, reconhecendo a conexão entre todas as categorias, enquanto consequências da colonialidade, e reflete-se sobre meios de alinhar a Universidade à interculturalidade.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Luísa Mattos, Universidade Federal da Bahia

Licenciada em Ciências Sociais na Universidade Federal da Bahia.

Roberta Melo de Andrade Abreu, Universidade Federal da Bahia

Possui Graduação em Pedagogia, Especialização em Metodologia o Ensino Superior. Cursou DEA (Diplomas de Estudos Aprofundados na Universidade de Paris X), na França trabalhando sobre formação e saberes docentes. Possui Mestrado em Educação na Universidade Metodista de São Paulo. Doutorou-se em Educação e Contemporaneidade na Universidade do Estado da Bahia. Realizou estágio pós-doutoral na Universidade Federal da Bahia. Atualmente é docente adjunta II da Universidade Federal da Bahia no Programa de Pós-Graduação em Educação e na graduação/ licenciaturas. É membro pesquisadora do GEPEL Grupo de Pesquisa Educação, Didática e Ludicidade da Universidade Federal da Bahia.

Referências

AMES, Patricia. Educación e interculturalid: repensando mitos, identidades y proyectos. In: FULLER, Norma. Interculturalidad y política: desafíos y posibilidades. Lima: Red para el desarrollo de las Ciências Sociales en el Peru, 2002. p. 343-371.

BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Coimbra: Edições 70, 2016.

BEDÓN, Nancy. Como educar bajo términos de interculturalidad. Quito, Revista Yachaykuna, n. 9, p. 11-25, 2008. Disponível em: http://www.icci.nativeweb.org/yachaikuna/. Acesso em: 14 jul. 2025.

BENTO, Cida. O pacto da branquitude. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Presidência da República, 1996. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 20 ago. 2025.

CANDAU, Vera Maria Ferrão. Direitos humanos, educação e interculturalidade: as tensões entre igualdade e diferença. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 37, p. 45-56, jan. 2008. DOI: https://doi.org/10.1590/S1413-24782008000100005. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbedu/a/5szsvwMvGSVPkGnWc67BjtC/?format=html&lang=pt. Acesso em: 20 ago. 2025.

CONAIE. Proyecto político de la CONAIE. Quito: CONAIE, 1994. Disponível em: https://conaie.org/proyecto-politico/. Acesso em: 25 jun. 2025.

CONAIE. Proyecto político para la construcción del estado plurinacional: propuesta desde la visión de la CONAIE. Quito: CONAIE, 2012. Disponível em: https://conaie.org/2015/07/21/proyecto-politico-conaie-2012/. Acesso em: 25 jun. 2025.

CONAIE. 37 años de vida organizativa de la CONAIE. Quito: CONAIE, 2023. Disponível em: https://conaie.org/2023/11/28/37-anos-de-vida-organizativa-de-la-conaie/. Acesso em: 14 jul. 2024.

CORTESÃO, Luíza; STOER, Stephen A. A interculturalidade e a educação escolar: dispositivos pedagógicos e a construção da ponte entre culturas. Revista Inovação, v. 9, p. 35-51, 1996. Disponível em: https://repositorio-aberto.up.pt/handle/10216/56270?mode=full. Acesso em: 16 mar. 2026.

DUSSEL, Enrique. 1492: O encobrimento do outro (A origem do “mito da Modernidade”). Petrópolis: Vozes, 1993.

FACULDADE de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA. Regimento interno do curso de Licenciatura Intercultural Indígena. Salvador: FFCH, 2024. Disponível em: https://intercultural.ufba.br/sites/intercultural.ufba.br/files/regimento_de_curso_linter_ufba_outubro_de_2024.pdf. Acesso em: 30 abr. 2026.

FLEURI, Reinaldo Matias. Intercultura e educação. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 23, p. 16-35, maio/ago. 2003. DOI: https://doi.org/10.1590/S1413-24782003000200003. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/pdf/rbedu/n23/n23a03.pdf. Acesso em: 25 jun. 2025.

GONZÁLEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.

GROSFOGUEL, Ramón. A estrutura do conhecimento nas universidades ocidentalizadas: racismo/sexismo epistêmico e os quatro genocídios/epistemicídios do longo século XVI. Sociedade e Estado, Brasília, DF, v. 31, n. 1, p. 25-49, jan./abr. 2016. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-69922016000100003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/se/a/xpNFtGdzw4F3dpF6yZVVGgt/?lang=pt#ModalTutors. Acesso em: 3 nov. 2024.

MANZINI, Eduardo José. Considerações sobre a elaboração de roteiro para a entrevista semi-estruturada. In: MARQUEZINE, Maria Cristina; ALMEIDA, Maria Amélia; OMOTE, Sadao (org.). Colóquios sobre pesquisa em educação especial. Londrina: Eduel, 2003. p. 11-25.

MARTINS, Heloisa Helena T. de Souza. Metodologia qualitativa de pesquisa. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 30, n. 2, p. 289-300, maio/ago. 2004. DOI: https://doi.org/10.1590/S1517-97022004000200007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ep/a/4jbGxKMDjKq79VqwQ6t6Ppp/?lang=pt. Acesso em: 25 jun. 2025.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Qual a diferença entre bacharelado, licenciatura, curso tecnológico e área básica de ingresso? GOV.BR, Brasília, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/acesso-a-informacao/perguntas-frequentes/sisu/vagas-ofertadas/qual-a-diferenca-entre-bacharelado. Acesso em: 16 mar. 2026.

MOREIRA, Plínio Cavalcanti. 3+1 e suas (in)variantes: reflexões sobre as possibilidades de uma nova estrutura curricular na licenciatura em matemática. Bolema, Rio Claro, v. 26, n. 44, p. 1137-1150, dez. 2012. DOI: https://doi.org/10.1590/S0103-636X2012000400003. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/bolema/v26n44/03.pdf. Acesso em: 25 jun. 2025.

OLIVEIRA, Cleyton da Silva. Neoliberalismo, sofrimento e indiferença. Revista Katálysis, Florianópolis, v. 25, n. 2, p. 365-373, maio/ago. 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/1982-0259.2022.e82611. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rk/a/8KY5H7rgCP9nPzZjbWRsB8q/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 25 jun. 2025.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder e classificação social. In: SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, Maria Paula. Epistemologias do Sul. Coimbra: Edições Almedina, 2009. p. 73-117.

SAAVEDRA, Esteban; QUILAQUEO, Daniel. Desafío epistemológico de los conocimientos educativos indígena y escolar para una educación intercultural. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 47, p. 1-17, e231832, 2021. DOI: https://doi.org/10.1590/S1678-4634202147231832. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ep/a/7XKDDdZYf9YP4gSNNMjNCvy/?format=pdf&lang=es. Acesso em: 21 ago. 2025.

SANTOS, Danilo Braun; VAZ, Daniela Verzola; MINHOTO, Maria Angélica Pedra. Análise da política de cotas nas instituições federais de ensino superior. Avaliação: Revista da Avaliação da Educação Superior, Campinas, v. 30, p. 1-28, e025008, 2025. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1982-57652025v30id287878. Disponível em: https://www.scielo.br/j/aval/a/dgBsq5fgJcZBcGqsqc3kMTM/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 21 ago. 2025.

SAVIANI, Dermeval. Formação de professores: aspectos históricos e teóricos do problema no contexto brasileiro. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 14, n. 40, p. 143-155, jan./abr. 2009. DOI: https://doi.org/10.1590/S1413-24782009000100012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbedu/a/45rkkPghMMjMv3DBX3mTBHm/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 21 ago. 2025.

SILVA, Caio Vinicius dos Santos; ALMEIDA, Gabriel Swahili Sales de; SANTOS, Jéssica Caroline Gouveia. O percurso da política de cotas na UFBA: implantação, acesso e desempenho acadêmico. Educação em Análise, Londrina, v. 10, p. 1–21, 2025. DOI: https://doi.org/10.5433/1984-7939.2025.v10.52662. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/educanalise/article/view/52662. Acesso em: 30 abr. 2026.

SKLIAR, Carlos. A educação e a pergunta pelos Outros: diferença, alteridade, diversidade e os outros "outros". Ponto de Vista, Florianópolis, n. 5, p. 37-49, 2003. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/pontodevista/article/view/1244/4251. Acesso em: 21 ago. 2025.

TREVISOL, Joviles Vitório; GARMUS, Ricardo. A nova direita e os ataques à autonomia das universidades no Brasil. Educação & Sociedade, Campinas, v. 45, p. e277388, 2024. DOI: https://doi.org/10.1590/ES.277388. Disponível em: https://www.scielo.br/j/es/a/6pFzRLmsDzkypJ4PX7yNb4s/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 21 ago. 2025.

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA. Catálogo de cursos. Salvador: UFBA, 2026. Disponível em: https://prograd.ufba.br/catalogo-de-cursos. Acesso em: 30 abr. 2026.

UNIVERSIDADE Federal da Bahia lança curso de Licenciatura Intercultural Indígena. Licenciantura Intercultural Indígena UFBA, Salvador, 2024. Disponível em: https://intercultural.ufba.br/universidade-federal-da-bahia-lanca-curso-de-licenciatura-intercultural-indigena. Acesso em: 30 abr. 2026.

WALSH, Catherine. Interculturalidade Crítica e Pedagogia Decolonial: in-surgir, re-existir e re-viver. In: CANDAU, Vera Maria (org.). Educação Intercultural na América Latina: entre concepções, tensões e propostas. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2009. p. 12-42.

WALSH, Catherine. Interculturalidad y colonialidad del poder: Un pensamiento y posicionamiento “otro” desde la diferencia colonial. In: CASTRO-GÓMEZ, Santiago; GROSFOGUEL, Ramón (org.). El giro decolonial: Reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre Editores, 2007. p. 47-62.

YONFÁ, Eloísa Carbonell. Violencia epistémica, cultural y lingüística hacia los pueblos del Abya Yala. Revista Científica Amawtakuna, Quito, v. 2, n. 1, p. 67-98, 2024. Disponível em: https://editorial.uaw.edu.ec/violencia-epistemica-cultural/. Acesso em: 21 ago. 2024.

Downloads

Publicado

2025-12-30

Como Citar

MATTOS, Luísa; MELO DE ANDRADE ABREU, Roberta. Interculturalidade e universidade: caminhos para o fortalecimento da decolonização na formação docente. Revista de Estudos em Educação e Diversidade - REED, [S. l.], v. 6, n. 13, p. 1–24, 2025. DOI: 10.22481/reed.v6i13.18999. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/reed/article/view/18999. Acesso em: 20 maio. 2026.

Edição

Seção

Artigos