Prostituição, salvação e morte: a construção da mulher em Lucíola, de José de Alencar
DOI:
https://doi.org/10.22481/folio.v17i1.18507Palavras-chave:
Lucíola, José de Alencar, Representação feminina, Cânone literário brasileiro, Patriarcado, Moral burguesaResumo
A obra Lucíola, de José de Alencar, apresenta a dualidade entre prostituição e redenção, refletindo as contradições sociais do século XIX. Este artigo propõe uma releitura crítica do romance, analisando a construção da protagonista Lúcia sob a perspectiva da representação feminina no cânone literário brasileiro. Narrada por Paulo, a trama expõe a tentativa de Lúcia de redimir-se de seu passado como cortesã ao apaixonar-se pelo jovem pernambucano, que vê nela a pureza de Maria da Glória — sua identidade anterior à prostituição. A narrativa evidencia, assim, a rigidez das normas sociais da época, que restringiam o papel feminino ao espaço doméstico e à dependência masculina. Embora o romance pareça valorizar o poder feminino, acaba por reforçar a supremacia masculina ao condenar Lúcia à morte como forma de purificação moral. Por fim, a análise destaca como a obra perpetua valores burgueses e estabelece uma visão idealizada da mulher dentro da moralidade patriarcal, consolidando sua posição no cânone literário nacional.
Downloads
Referências
ALENCAR, José de. Lucíola. 12. ed. São Paulo: Ática, 1988.
ALENCAR, José de. Senhora. São Paulo: Ediouro, 2002.
ALENCAR, José de. Diva. São Paulo: Martin Claret, 2005.
BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo: a experiência vivida. 3. ed. Tradução: Sérgio Milliet. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016.
BÍBLIA, Português. A Bíblia Sagrada: Antigo e Novo Testamentos. Tradução: João Ferreira de Almeida. Brasília, DF: Sociedade Bíblia do Brasil, 1969.
BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. 6. ed. Tradução: Maria Helena Kühner. Rio de Janeiro: BestBolso, 2018.
BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. 15. ed. Tradução: Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017.
FORTES, Rita Félix. Do bordel ao lar: uma volta impossível em Lucíola de José de Alencar. Travessia, v. 25, p. 61–69, 1992. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/travessia/article/viewFile/17004/15553. Acesso em: 17 ago. 2019.
OSTERNE, Ana Maria Remígio. O universo simbólico em Lucíola - do paganismo ao cristianismo. Rev. de Letras, v. 1, n. 26, p. 82–87, 2004. Disponível em: http://www.periodicos.ufc.br/revletras/article/view/2272. Acesso em: 17 ago. 2019.
PERUZZO, Renato Gonçalves. Contos de fadas LGBTQIAP+ e suas (re)existências coloridas: desmantelando a representação das fadas na sociedade monocromática. In: MOURA, Iago; MONTEIRO, Nai; PERUZZO, Renato Gonçalves; AFONSO-ROCHA, Rick (Orgs.). Cutucando o cu do cânone: insubmissões teóricas e desobediências epistêmicas. Salvador, BA: Devires, 2022. p. 355–370.
POMPEU BRASIL, Francisca Patrícia. Romances de Alencar, contos de fadas e a educação da mulher para o casamento. Caderno Espaço Feminino, v. 18, n. 2, p. 277–309, 2007. Disponível em: http://www.seer.ufu.br/index.php/neguem/article/view/830. Acesso em: 17 ago. 2019.
RICH, Adrienne. Heterossexualidade compulsória e existência lésbica. Bagoas - estudos gays: gêneros e sexualidades, v. 4, n. 5, p. 17–44, 2012. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/bagoas/article/view/2309/1742. Acesso em: 9 jun. 2019.
SHAKESPEARE, William. Hamlet. Tradução: Millôr Fernandes. Porto Alegre: L&PM, 2011.
SOUZA, Eneida Maria de. Nostalgias do cânone. In: SOUZA, Eneida Maria de (Org.). Crítica Cult. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2002. p. 85–90.
SOUZA JUNIOR, José Luiz Foureaux. Reescrevendo os manuais: o partido do homoerotismo. In: Herdeiros de Sísifo - teoria da literatura e homoerotismo. Uberlândia, MG: O Sexo da Palavra, 2019. p. 251–319.
SULLÀ, Enric. El debate sobre el cânone literario. In: El canon literario. Madrid: Arco-Libros, 1998. p. 11–34.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Renato Gonçalves Peruzzo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.