ANIMALESCOS, O BESTIÁRIO CONTEMPORÂNEO DE GONÇALO M. TAVARES
DOI:
https://doi.org/10.22481/folio.v10i1.3740Palavras-chave:
Bestiário; Gêneros Literários; Aberto; Literatura Portuguesa.Resumo
Considerado um gênero literário medieval, o bestiário descrevia física e comportamentalmente animais reais ou imaginários, atribuindo cunho moralizante ao quadro representado. Era escrito em prosa ou versos, sendo ilustrado e tomando a natureza ao modo cristão de ver o mundo, isto é, como fonte de ensinamento para o ser humano, demonstrando-lhe, por vezes, seu parentesco não somente biológico com o animal. Com o distanciamento do universo secular dos dogmas cristãos, os bestiários perdem sua força como gênero, e os animais de suas páginas migram para a iconografia eclesiástica e, mais tarde, para as artes visuais, valendo citar, por exemplo, a relação visual entre homens e animais na obra de Goya. Nossa pretensão é demonstrar que Animalescos, de Gonçalo M. Tavares, agrega-se ao gênero bestiário, que não desapareceu, porém, ganhou novos contornos com o passar dos tempos. Se na ficha catalográfica da edição brasileira (Dublinense, 2016) lemos que se trata de “contos portugueses”, discordamos dessa rubrica, uma vez que há um fio temático – a perversidade – que alinhava as narrativas, alicerçadas sobre relações entre homens, animais, cidades, máquinas, neuroses, violência e morte.
Downloads
Referências
Agamben G. O aberto: o animal e o homem. Mendes P, tradutor. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; 2007.
Apollinaire G. O bestiário ou cortejo de Orfeu. Faleiros Á, tradutor. São Paulo: Iluminuras; 1997.
Borges JL. Funes, o memorioso [Internet]. Franciotti MA, tradutor. São Paulo: IFSC-USP; [acesso em: 2018 Mar 30]. Disponível em: http://www.gradadm.ifsc.usp.br.
Costa MF da (Coord.). Grande dicionário da língua portuguesa. Porto: Porto Editora; 2010.
Deleuze G, Guattari F. Kafka: por uma literatura menor. Silva CV da, tradutora. Belo Horizonte: Autêntica; 2015.
Derrida J. O animal que logo sou. Landa F, tradutor. São Paulo: Editora UNESP; 2002.
Faleiros Á. Notícias do bestiário. In: Apollinaire G. O bestiário ou cortejo de Orfeu. São Paulo: Iluminuras; 1997. p. 9-22.
Ferreira AMA. Prefácio. In: Hardy-Vallée B. Que é um conceito?. Bagno M, tradutor. São Paulo: Parábola; 2013. p. 7-12.
Hardy-Vallée B. Que é um conceito?. Bagno M, tradutor. São Paulo: Parábola; 2013.
Harvey P. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. Kury MG, tradutor. Rio de Janeiro: Jorge Zahar; 1987.
Lausberg H. Elementos de retórica literária. Fernandes RMR, tradutor. 4. ed. Lisboa: Calouste Gulbenkian; 1993.
Marzano M (Org.). Dicionário do corpo. Souza LP de, et al., tradutores. São Paulo: Loyola; Centro Universitário São Camilo; 2012.
Seligmann-Silva M. Do delicioso horror sublime ao abjeto e à escritura do corpo. In: Seligmann-Silva M. O lugar da diferença: ensaios sobre memória, arte, literatura e tradução. São Paulo: Editora 34; 2005. p. 31-44.
Tavares GM. Animalescos. Porto Alegre: Dublinense; 2016.
Trigo L. Gonçalo M. Tavares: ‘O meu trabalho é iluminar palavras’ [Internet]. G1 - Máquina de Escrever. 2014 Fev 9 [acesso em: 2018 Mar 30]. Disponível em: http://g1.globo.com.
Ullmann S. Semântica: uma introdução à ciência do significado. Mateus JAO, tradutor. 5. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian; 1987.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2018 fólio - Revista de Letras

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.