O DEVIR NEGRO NA LITERATURA BRASILEIRA: NOTAS SOBRE A ORALIDADE EM LIMA BARRETO

Autores

  • Jorge Augusto Silva Universidade Federal da Bahia (Ufba); Instituto Federal do Maranhão (Ifma)

DOI:

https://doi.org/10.22481/folio.v2i10.4562

Resumo

Neste texto buscamos traçar um breve panorama da tradição eurocêntrica das teorias da literatura, e da crítica literária, no Brasil, ressaltando o aspecto central de sua formulação discursiva: o grafocentrismo. Tentaremos mostrar com as diversas concepções de crítica literária que circularam no campo das letras brasileiras eram grafocentricas, operando a partir de concepções de língua que não potencializam a apreensão do repertório cultural negro, na cultura brasileira. A partir desse cenário iremos expor como a escrita de Lima Barreto rasura essa engrenagem discursiva na literatura brasileira, operando um devir negro na linguagem literária nacional, através do uso do registro informal da língua no texto literário. Essa operação barretiana, não produz uma estetização da oralidade, mas propõe compreendê-la como base epistemológica de uma cultura negro-brasileira.

 

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Biografia do Autor

Jorge Augusto Silva, Universidade Federal da Bahia (Ufba); Instituto Federal do Maranhão (Ifma)

 Professor do Instituto Federal do Maranhão (Ifma). Doutorando em Literatura e Crítica da Cultura, pela Universidade Federal da Bahia m (Ufba). Mestre em Estudos de Linguagem pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb).

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Publicado

05.02.2019

Como Citar

SILVA, Jorge Augusto. O DEVIR NEGRO NA LITERATURA BRASILEIRA: NOTAS SOBRE A ORALIDADE EM LIMA BARRETO. fólio - revista de letras, [S. l.], v. 10, n. 2, 2019. DOI: 10.22481/folio.v2i10.4562. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/folio/article/view/4562. Acesso em: 22 maio. 2026.