Cultura digital e governabilidade: infâncias e políticas educacionais no Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22481/poliges.v7i1.19570

Resumo

Este artigo, derivado de uma pesquisa em andamento, tem como objetivo problematizar os discursos e racionalidades que vêm produzindo a Cultura Digital como um imperativo educacional contemporâneo nas políticas públicas voltadas às infâncias no Brasil. Ancorada nas contribuições de Michel Foucault, especialmente na noção de governamentalidade, a análise compreende as políticas educacionais como práticas discursivas atravessadas por relações de poder, saber e governamento, que orientam condutas e produzem modos específicos de viver a infância na contemporaneidade. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa de caráter documental, que toma os documentos como produções históricas marcadas por racionalidades políticas e efeitos de verdade. O corpus analítico é composto pela Política de Inovação Educação Conectada (PIEC), pela Política Nacional de Educação Digital (PNED), e pela BNCC Computação. As análises evidenciam que a Cultura Digital tem sido posicionada como condição necessária para participação social, cidadania e desenvolvimento, articulando-se à produção de sujeitos autônomos, flexíveis, responsáveis e permanentemente dispostos ao aperfeiçoamento de si. Argumenta-se que tais políticas operam como estratégias contemporâneas de governamento, produzindo formas específicas de subjetivação e investindo na infância como espaço privilegiado de formação para as exigências de uma sociedade digitalizada e orientada por princípios neoliberais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Liany Gonzales Mattozo, Universidade Federal do Rio Grande - FURG

Mestranda em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela UNOPAR Anhanguera Rio Grande. Licenciada em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Integrante do Grupo de Pesquisa Núcleo de Estudo e Pesquisas em Educação da Infância (NEPE/CNPq/FURG).

Maria Renata Alonso Mota, Universidade Federal do Rio Grande - FURG

Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Educação pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Coordenadora do Grupo de Pesquisa Núcleo de Estudo em Educação da Infância - NEPE/CNPq/FURG.

Referências

BARROS, Igor Côrrea de. A emergência da população como problema político: o conceito de governamentalidade em Michel Foucault. Existência e Arte, v. 1, p. 19-34, 2020.

BORTOLAZZO, Sandro. Cultura digital e educação: problematizações contemporâneas. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 41, n. 4, p. 1181–1199, 2016.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Parecer CNE/CEB nº 2, de 17 de fevereiro de 2022. Normas sobre Computação na Educação Básica – Complemento à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília, DF: Ministério da Educação, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/mec. Acesso em: 28 de maio 2026.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Educação digital e midiática: como elaborar e implementar o currículo nas escolas. Brasília, DF: MEC/SEB, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/escolas-conectadas/documentos/guia_eddigital_versofinaloficial.pdf. Acesso em: 28 maio 2026.

COSTA, Sylvio de Souza Gadelha. Governamentalidade neoliberal, teoria do capital humano e empreendedorismo. Educação & Realidade, Porto Alegre, vol.34, n.02, pp.171-186. 2009.

LE GOFF, Jacques. Documento/Monumento. In: História e Memória. 7ª ed. revista - Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2013. p. 485-498.

LOUREIRO, Carine Bueira; LOPES, Maura Corcini. A Condução Eletrônica das Condutas: A Educação como Estratégia de Disseminação de Práticas. (2023). Educação Em Revista, 31(3). Disponível em: https://periodicosdes.cecom.ufmg.br/index.php/edrevista/article/view/21206 Acesso em: 10 de jul. 2025.

SARAIVA, Karla; VEIGA-NETO, Alfredo. Modernidade Líquida, Capitalismo Cognitivo e Educação Contemporânea. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 34, n. 2, p. 187-201, maio/ago. 2009.

VEIGA-NETO, Alfredo. Coisas de governo... In: RAGO, Margareth; ORLANDI, Luiz B. L. & VEIGA-NETO, Alfredo (org.). Imagens de Foucault e Deleuze: ressonâncias nietzschianas. Rio de Janeiro: DP&A, 2002. p.13-34.

VEIGA-NETO, Alfredo. Na oficina de Foucault. In: GONDRA, José; KOHAN, Walter (org.). Foucault 80 anos. Belo Horizonte: Autêntica, 2006. p.79-91. ISBN: 85-7526-225-4.

VEIGA-NETO, Alfredo. Por que governar a infância? IN: Michel Foucault: o governo da infância. Haroldo Resende (org.) Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2019. p. 49 – 56.

Downloads

Publicado

2026-06-30

Como Citar

GONZALES MATTOZO, Liany; ALONSO MOTA, Maria Renata. Cultura digital e governabilidade: infâncias e políticas educacionais no Brasil. Revista de Políticas Públicas e Gestão Educacional (POLIGES), [S. l.], v. 7, n. 1, p. 486–510, 2026. DOI: 10.22481/poliges.v7i1.19570. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/poliges/article/view/19570. Acesso em: 7 jul. 2026.