Transição para o ensino médio na EJA: desigualdades, políticas públicas e trajetórias educacionais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22481/praxisedu.v22i53.19610

Palavras-chave:

educação de jovens e adutos , direito à educação, ensino médio, política educacional, transição escolar

Resumo

Este artigo analisa os processos de transição de estudantes do Ensino Médio regular para a modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Brasil, problematizando o fenômeno à luz das desigualdades sociais, das barreiras educacionais sistêmicas e das políticas educacionais de orientação neoliberal. Busca identificar as contradições e desafios presentes nesse processo, bem como os significados da noção de transição e suas consequências nas trajetórias escolares dos estudantes. Parte-se das seguintes questões: quais desafios e contradições marcam a passagem do Ensino Médio regular para a EJA? Quais os sentidos atribuídos ao conceito de transição no contexto educacional brasileiro? E quais os impactos dessa dinâmica nas trajetórias educacionais dos sujeitos da EJA? Adota-se a compreensão de transição como processo socialmente produzido, contínuo e multidimensional, articulando dimensões estruturais, institucionais e vivenciais das trajetórias educativas. Metodologicamente, o estudo fundamenta-se em pesquisa de campo, com levantamento bibliográfico e entrevistas realizadas com coordenadores da EJA de secretarias estaduais de educação de três estados brasileiros. Os resultados indicam que estudantes com histórico de repetência, abandono escolar e interrupções nos estudos tendem a migrar para a EJA, especialmente após as recentes reformas do Ensino Médio. A modalidade vem sendo utilizada como mecanismo de correção do fluxo escolar e certificação acelerada, reforçando uma concepção instrumental da EJA e contribuindo para a reprodução das desigualdades educacionais. Conclui-se que essa transição expressa processos de exclusão, persistência e continuidade dos estudos, mantendo a relevância social da EJA para sujeitos historicamente privados do direito à educação.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Graça dos Santos Costa, Universidade do Estado da Bahia

Doutora em Educação pela Universitat de Barcelona (UB), professora Titular do Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Líder do Grupo de Pesquisa /CNPq Educação em Direitos Humanos e Interculturalidade – GREDHI da UNEB.

Contribuição de autoria: conceitualização; análise formal; produção de dados da pesquisa; redação.

Jaqueline Pereira Ventura, Universidade Federal Fluminense

Doutora em Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Coordenadora e professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da UFF. Líder dos Grupos de Pesquisa: Trabalho e Educação – Neddate e EJA Trabalhadores.

Contribuição de autoria: conceitualização; análise formal; produção de dados da pesquisa; redação.

Patrícia Lessa Santos Costa , Universidade do Estado da Bahia

Doutora em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Professora dos Mestrados Profissionais em Educação de Jovens e Adultos (MPEJA) e em Gestão e Tecnologia Aplicadas à Educação (GESTEC) do Departamento de Educação I da Universidade do Estado da Bahia (UNEB)

Contribuição de autoria: conceitualização; análise formal; produção de dados da pesquisa; redação.

David Mallows, University College London

Doutor pela University College London (UCL) e professor do UCL Institute of Education, Reino Unido. Desenvolve pesquisas nas áreas de educação de jovens e adultos, alfabetização, aprendizagem ao longo da vida e políticas educacionais.

Contribuição de autoria: conceitualização; análise formal; produção de dados da pesquisa; redação.

 

Referências

ARENDT, Hannah. O que é política? Trad. Guarany, R. 6. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006. (Obra original publicada em 1993).

ARROYO, Miguel González. Currículo, território em disputa. Petrópolis: Vozes, 2011.

BRASIL. Presidência da República. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Planalto, 1996. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm Acesso em: 19 out. 2026

BRASIL. Ministério da Educação. Resolução nº 1, de 28 de maio de 2021. Institui Diretrizes Operacionais para a Educação de Jovens e Adultos nos aspectos relativos ao seu alinhamento à Política Nacional de Alfabetização (PNA) e à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e Educação de Jovens e Adultos a Distância. Brasília. Brasília, DF: MEC, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/cne/pdf/resolucoes-do-cne/ceb/2021/rceb001_21.pdf. Acesso em: 19 set. 2026.

BRASIL. Ministério da Educação. Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da Educação de Jovens e Adultos. Brasília, DF: MEC, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/mec. Acesso em: 19 set. 2026.

BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Censo Escolar da Educação Básica 2024: divulgação dos resultados. Brasília, DF: Inep, 2025. Disponível em: https://download.inep.gov.br/censo_escolar/resultados/2024/apresentacao_coletiva.pdf?utm_source=chatgpt.com Acesso em: 01 set. 2026.

BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - Inep. Censo Escolar da Educação Básica 2025: notas estatísticas. Brasília, DF: Inep, 2026. Disponível em: https://download.inep.gov.br/publicacoes/institucionais/estatisticas_e_indicadores/notas_estatisticas_censo_escolar_da_educacao_basica_2025.pdf?utm_source=chatgpt.com Acesso em: 31 out. 2026

CARRANO, Paulo Cesar Rodrigues. Educação de jovens e adultos e juventude: o desafio de compreender os sentidos da presença dos jovens na escola da “segunda chance”. Revista de Educação de Jovens e Adultos, Belo Horizonte, v. 1, n. 0, p. 55-67, 2007. Disponível em: http://www.reveja.com.br. Acesso em: 30 jul. 2026.

DAZA-PEREZ, Lidia; LLANES-ORDÓÑEZ Juan; FIGUEIRA-GAZO, Pilar. Exploring the persistence of adults on secondary education courses: occupational status, satisfaction and self-efficacy as key factors. Journal of New Approaches in Educational Research, v. 13, n. 6, 2024. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s44322-023-00005-2 Acesso em: 19 set. 2026

FARGONI, Everton Henrique Eleutério; SILVA JÚNIOR, João dos Reis; ZACARIAS, Mayna; VICENTE, William Augusto. O “novo” Ensino Médio sob a lógica do mercado. Revista Ponto de Vista, v. 13, n. 2, p. 1–17, 2024. Disponível em: https://periodicos.ufv.br/RPV/article/view/16485. Acesso em: 19 set. 2026.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.

FREITAS, Luiz Carlos de. A reforma empresarial da educação: nova direita, velhas ideias. São Paulo: Expressão Popular, 2018.

FRIGOTTO, Gaudêncio. Formação humana omnilateral e o Ensino Médio Integrado: a (des)conexão entre formação científica e política da juventude. Revista Brasileira da Educação Profissional e Tecnológica, v. 1, n. 24, p. e17172, 2024. Disponível em: https://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/RBEPT/article/view/17172. Acesso em: 01 set. 2026.

GADOTTI, Moacir. Educação de adultos como direito humano. EJA em debate, n. 2, p. 12-29. 2013. Disponível em: https://periodicos.ifsc.edu.br/index.php/EJA/article/view/1004 Acesso em: 19 set. 2026.

LEBOURG, Elodia Honse; COUTRIM, Rosa Maria da Exaltação. Eu não queria estar aqui: juventude, ensino médio e deslocamento. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 43, n. 2, p. 609-627. 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/edreal/a/nrSdRQhXpLpWGtQDpGLwnfP/?format=pdf&lang=pt Acesso em: 19 set. 2026.

MARGARIDA MACHADO, Maria. A Educação de Jovens e Adultos na formação de trabalhadores: entre reformas, lutas e participação social. Revista Trabalho Necessário, 2025. Disponível em: https://periodicos.uff.br/trabalhonecessario/article/view/69618. Acesso em: 19 set. 2026.

MALLOWS, David; COSTA, Graça dos Santos. Transition and persistence of young people in secondary education for young people and adults: evidence from Bahia, Brazil. International Journal of Lifelong Education, p. 1-22, 2026.

SÁ, Celso Pereira. Núcleo Central das Representações Sociais 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2002. (Obra original publicada em 1996).

SILVA, Fernanda Aparecida Rodrigues; SOARES, Leôncio; LEAL, Anna Carolina de Paiva. Provimento da Educação de Jovens e Adultos sob o olhar de coordenadores municipais em Minas Gerais. Perspectiva, v. 42, n. 2, p. 1–17, 2024. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/perspectiva/article/view/94540. Acesso em: 01 set. 2026.

VIDAL, Zirani Neta; COSTA, Graça dos Santos; COSTA, Patrícia Lessa Santos. Transição do ensino fundamental para o ensino médio da EJA: desafios curriculares. Revista da FAEEBA – Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 33, n. 75, p. 136-154., jul./set. 2024. Disponível em: https://revistas.uneb.br/index.php/faeeba/article/view/19898/14240 Acesso em: 19 set. 2026.

Downloads

Publicado

01-10-2026

Como Citar

COSTA, Graça dos Santos; VENTURA, Jaqueline Pereira; COSTA , Patrícia Lessa Santos; MALLOWS, David. Transição para o ensino médio na EJA: desigualdades, políticas públicas e trajetórias educacionais. Práxis Educacional, Vitória da Conquista, v. 22, n. 53, p. e19610, 2026. DOI: 10.22481/praxisedu.v22i53.19610. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/praxis/article/view/19610. Acesso em: 10 out. 2026.